A Marcha para Jesus com uma réplica de um revólver, nos faz refletir e questionar: Quais são as várias contradições com o cristianismo nessa imagem?
A cultura armamentista, cultivada nos últimos anos, foi reforçada como política de governo consubstanciada pelo afrouxamento das regras para acesso a armas, feito por decretos assinados por Bolsonaro. A decisão do chefe do executivo permitiu que passássemos de 117 mil pessoas armadas em 2018 para 673 mil atualmente, com um arsenal de 1,5 milhão de armas e 393 milhões de cartuchos, mais do que o arsenal de todas as Polícias Militares estaduais juntas e também maior também do que todo o arsenal das Forças Armadas.
O sistema implementado pelo governo guarda distorções e sobretudo alberga o submundo do crime, pois na maioria das vezes, não há treinamentos sérios e certificados psicológicos autênticos dos profissionais militares ou daqueles autorizados por meio de uma autorização genérica como o CAC (Caçador, Atirador ou Colecionador). Nessa política armamentista bolsonarista, sem controle e sobretudo sem fiscalização, um dos membros do PCC adquiriu fuzil com a autorização do Exército, como outras adquiridas por diversas organizações criminosas.
Isso não aumenta nossa segurança e não há dúvidas de que o armamentismo como está posto, favorece tão somente a indústria das armas. Empresas como Taurus e Companhia Brasileira de Cartuchos dispararam seus faturamentos alcançando a cifra de R$ 5 bilhões por ano e potencializam condutas criminosas principalmente em lares brasileiros.
Um dos valores no “marketing” de Bolsonaro é a “suposta” defesa das famílias, mas um levantamento feito pela Folha de São Paulo em 2019, mostra que 7 em cada 10 feminicídios são cometidos pelo companheiro da vítima e pelo menos 49% são executados com arma de fogo, parte delas adquiridas pelas novas facilidades via decretos. presidenciais. Considerando esses fatos, podemos dizer que é assustador ver que participantes da Marcha para Jesus que em tempos normais exaltaram a fé cristã ou mesmo aceitariam com naturalidade a presença de uma arma de fogo. Em suma, concluir que esta postura política é totalmente incompatível com o que Jesus Cristo ensinou e jamais deveria figurar em um ato dedicado àquele que se intitulou Príncipe da Paz
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Aqueles que se dispõe a marchar para Jesus, marcham pelo amor, pela paz, pela justiça que não se confunde com a falha justiça humana, a qual ele chamou de trapos de imundície.
Citando Tertuliano, um dos pais da igreja cristã, disse que quando Jesus desarmou Pedro, desarmou todos os cristãos em todos os tempos.
É preciso refletir se é possível que seguidores de Jesus o desobedeçam para seguir às orientações de um ser humano, ainda que no cargo de Presidente da República. O cristianismo não é violento e foi agraciado com a vida por quem venceu a morte. Os cristãos não são a favor de armas.
Por Roberto Rosa, Ativista Político



