Em entrevista ao PodCast da jornalista Renata Cristiane na última quinta-feira (30), o prefeito de Cabo Frio, Sr. José Bonifácio Novelino, alegou que não investe em estrutura turística e em eventos porque é caro e a prefeitura não tem dinheiro para gastar com “festas”. Na entrevista, o chefe do executivo acusou o setor privado de explorar os espaços públicos e não dar nada em troca e chegou a dizer para um empresário que não vai consertar calçadas porque o dono do restaurante coloca mesas, ganha das mesas e ele comerciante, deveria reurbanizar a área. Estamos diante da terceirização da responsabilidade da administração pública sem controle ou critério.
O prefeito jogou a lei de empachamento no lixo. Nitidamente avesso à realidade do momento em que vivemos e despachando como um mero chefe de repartição, José Bonifácio esqueceu de citar que o primeiro semestre deste ano foi o período em que a prefeitura mais arrecadou e que o setor de serviços impulsionado pelo turismo foi responsável pela maior retomada de postos de trabalho formais da cidade.
O setor de serviços hoje é responsável por cerca de 35% da arrecadação municipal e o maior empregador do município que tem como única indutora a indústria do turismo. Ele esqueceu de comentar que 70% de ocupação da rede hoteleira, faz girar cerca de 40 a 50 milhões de reais na economia local na baixa temporada em apenas um fim de semana de feriado, o que gera cerca de 2 milhões em arrecadação direta apenas de ISS. Ou seja: é preciso que o prefeito entenda que turismo dá lucro!
Seria mais fácil o prefeito assumir que sua gestão não tem competência para administrar a pasta do que propriamente culpar o setor privado por não fazer o trabalho do poder público. Fechar uma folha de pagamento de 250 mil reais mensais para uma empresa de hotelaria com 100 funcionários não é fácil, é preciso receita e de capital de giro. Não vão cair no caixa das empresas receitas impositivas ou royalties de petróleo para equilibrar o balanço.
Se a cidade não produz, o povo não ganha e, portanto, não gasta ou se endivida. Precisamos de uma mudança de comportamento por parte do poder público urgente e que se possa transformar Cabo Frio em um produto vendável com atrativos e estrutura urbana para que se possa fomentar trabalho à população. A prefeitura tem se concentrado em fiscalizar obras do Governo do Estado em outros municípios, mas não se empenha em fomentar, por si só, obras dentro da cidade. Temos hoje mais turistas em Iguaba, Arraial do Cabo e São Pedro D’aldeia do que em Cabo Frio. Algo está errado na cidade e não é com a iniciativa privada.
Lamentavelmente, estamos caminhando para uma cidade com perfil provinciano, em que o mundo do prefeito se resume ao bairro da Passagem e à Fazenda Campos Novos com seus miquinhos e cavalinhos. A impressão que dá, é que José Bonifácio esqueceu que existe toda uma cidade. Depois ele vai culpar os eleitores por não eleger seus candidatos a deputados, seu sucessor e seus indicados a vereador. Apesar do prefeito não ter “medo” ou não ligar para judicialização da sua administração, a cidade liga! Se nada funciona é porque o prefeito não quer, mas o seu governo passará e a cidade não. O que ainda não se sabe é se o chefe de repartição a quem chamamos de prefeito paga seus secretários e cabos eleitorais pelo que eles fazem ou produzem ou se paga pelo que eles são. Ainda esperamos saber para onde vai o dinheiro arrecadado com ISS.



