Só uma palavra define a forma que as ações das Secretarias de Mobilidade Urbana e Turismo Esporte e Lazer estão sendo tomadas em relação ao receptivo terrestre em Cabo Frio: Lamentável!
São ações atabalhoadas que passam a impressão de total descaso e amadorismo técnico. É inadmissível que as vias de acesso sejam interditadas e que só se divulgue isso ao trade 48h antes. Turistas hospedados em hotéis renomados estão revoltados se sentindo enganados e aviltados pela forma que estão sendo tratados pelo poder público. Hoteleiros amargam cancelamentos em cima da hora sem terem como repor essas perdas pois se leva meses para se fechar grupos não sendo possível recompor o allotment do dia pra noite. Em meio à baixa temporada mais avassaladora da história do trade turístico, o poder público simplesmente resolve jogar contra sem nenhuma discussão, sem nenhum critério lógico, sem nenhuma satisfação razoável.
A expectativa de ônibus para hotéis e pousadas, que já era abaixo do esperado, despencou, caindo para cerca de 30% da capacidade do TOT. Parece que a grande preocupação da prefeitura é aumentar a arrecadação de impostos, mas se esquece que sem indústria não tem consumo. Sem turismo a cidade morre, literalmente.
Enquanto Búzios, São Pedro, Arraial do Cabo se fizeram presentes com stands, material de marketing visual e plano de logística de roteiros e acessos em um evento do Trade em Juiz de Fora, Cabo Frio sequer conseguiu organizar as barraquinhas da feira de artesanato que está na porta da Secretaria de Turismo. Há dois anos que estamos trabalhando muito para atrair o turista de 1000 km e dele, os de mais longe para não deixar a indústria morrer e quando conseguimos atrair o mercado goiano, paulista e gaúcho, temos que dizer a esse turista que ele sequer pode entrar na cidade porque, do dia pra noite, a prefeitura decidiu que vai ser assim e pronto.
Essas pessoas precisam entender que as empresas não possuem arrecadação impositiva e nem recebem parte de royalties de petróleo. Se elas investem e não lucram, elas quebram! Enquanto isso, emitir decreto virou fetiche, hobby. Parece que há uma cota mensal para ver quem emite mais decreto. É triste ver que as pessoas do alto escalão estão comprovando que assumem cargos por estarem na “cota” de político A ou B e não por terem o conhecimento e o preparo necessário para os cargos que ocupam. Só me resta assumir a vergonha alheia, acordar cedo e recepcionar meus clientes com um pedido de desculpas, lágrimas nos olhos e muita tristeza no coração.
Nosso turista não é um problema, pelo contrário! É a nossa única solução! Nossa única saída. Devemos tratá-los com atenção, respeito e muito carinho. Meus parceiros, os hoteleiros, as hospedarias, os donos de restaurantes, o comércio em geral, os ambulantes e eu, estamos fazendo a nossa parte.
Por MARDÔNIO GOMES



