Terça-feira, Maio 5, 2026
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A SAGA DO NEOLIBERALISMO NO DIA A DIA DE TODOS NÓS

Está mais do que claro, para os que leram mais de cinco livros sobre ideologia liberal, que a ascensão do neoliberalismo no hemisfério sul é um projeto fracassado. Entrou através da força com as ditaduras já superadas e retornou através de um linguagem conservadora ortodoxa aliada à religião e com o apelo da defesa vigorosa das liberdades individuais. Porém a imposição de determinados valores acabam por subverter outros valores; os valores plurais. 

O neoliberalismo, no entanto, se impõe como projeto de poder se sobrepondo até mesmo à constituição de códigos de convívio social alterando as leis nos campos moral, ético e religioso. Primeiro é preciso promover o caos, a desordem e o ódio coletivo contra um inimigo em comum, depois, apresentar personagens que se disponham a representar seus interesses, por fim, criar um embasamento ideológico que justifique sua necessidade e então, apresentar-se como um subversivo reparador da ordem, da ética, da moral e dos chamados bons costumes.

Esta receita foi alçada com sucesso em várias democracias, e aqui no Brasil, arrebanhar fiéis adeptos de um movimento messiânico de adoração a seu líder. Isso explica que mesmo vivendo em um verdadeiro caos institucional, social e econômico, essas pessoas de pensamento exíguo ainda sejam fiéis à sua opção de símbolo de poder. Elas assumem o caos em que vivemos mas, para elas, o caos será sempre menor. Há quem prefira morrer de fome a perder a referência daquele que representa seus mais intrínsecos valores ainda que não tenham ideia do que isso significa.

Não abortar um feto prematuro como muitos pensam. Parimos um bebê cuidadosamente cultivado na incubadora do neoliberalismo tóxico, imperialista no que se refere a interesses dos Estados Unidos e extrativista no que se refere ao eurocentrismo com fome incessante de consumo e da necessidade de manter o seu padrão superior.

O resultado disso é que mesmo vivendo em uma democracia, jamais tivemos nossas instituições tão atacadas, jamais tivemos nossa economia tão fragilizada, nosso povo tão miserável e nossa Constituição Federal tão ameaçada. Descobriu-se que, em uma nação de proporções continentais onde há uma das maiores desigualdades sociais do mundo, o Estado jamais será mínimo, principalmente para quem tem mais. É em uma crise que se vê quem o erário público socorre primeiro: os ricos.

O fato é que teremos 75 dias para amadurecermos a ideia de pátria, nação e povo. A partir daí, aprender com as duras lições e começar a exigir, acima de tudo, o direito de exercermos nossa cidadania. Ela está além do voto, além do que eu ou você achamos ou queremos. Ela está onde possamos ver que o que é bom pra um, tem que ser bom pra todos e que não são nem salvadores da pátria e tampouco mensageiros do apocalipse que irão nos salvar. Só quem pode nos salvar somos nós mesmos! Precisamos de um projeto de governo, de um plano para o país que reúna as pessoas e que traga a reconciliação e não a discórdia. Só seremos um quando resgatarmos a noção do que é sermos TODOS.

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