Em uma breve análise histórica sobre os partidos políticos, lembramos que, nas décadas de 1950 e 1960, o voto na esquerda, campo que inclui partidos democratas, trabalhistas, socialistas, social democratas, comunistas e verdes, estava associado a eleitores de baixa renda e baixa escolaridade. Com a passagem do tempo, assistimos a uma mudança com a capilaridade deste conjunto de ideias pelos diversos grupos sociais.
Gradualmente, os partidos do campo progressista passaram a atrair os eleitores de maior nível educacional e a ampliação do debate de temas como distribuição de renda, meio ambiente, direitos trabalhistas e liberdades civis no meio acadêmico e no legislativo ganharam espaço integrando os principais debates públicos . Com isso, as décadas de 2000 e 2010 foram marcadas por uma divisão política das elites, com o topo de maior renda votando à direita e manutenção do status quo, ao passo que a classe média e mais escolarizada optou pela esquerda.
Nesse cenário, o conflito político deixou de ter como eixo principal questões econômicas e distributivas (que são aquelas voltadas a corrigir a desigualdade na distribuição de renda), e o eixo “sociocultural” e identitário ganhou relevância. Como resultado, os sistemas partidários das principais democracias ocidentais deixaram de ter as classes sociais como diferença mais relevante, substituídas pela divisão entre as elites.
Roberto Rosa.



