Coronelismo, voto de cabresto e a fome como instrumento de cooptação de eleitores, têm sido a receita mais simplória, contudo, institucionalizada para se projetar ou se manter no poder. Chegou ao ponto de se usar, muito além do aparelho de Estado, os próprios personagens que o governam, chegaram ao ponto de ir além do aparelho do Estado. Não basta demonstrar força política e influência institucional, é preciso provar que elas realmente existem. A farra das portarias é escancarada!
Fantasmas se materializam aos montes e bastaria uma simples auditoria na folha do Estado para se descobrir os mais diversos tipos de servidores residindo no Jacaré, Grande Jardim Esperança e Segundo Distrito pois já que os serviços públicos municipais não chegam, a mão generosa do campeão de fantasmas afaga os órfãos.
A política foi transformada e reduzida ao seu mais baixo e sujo gueto de escambo de migalhas justamente pelos que a negavam. A corrupção sistêmica agora vale justamente pelos agentes que chegaram vomitando purismo, retidão e austeridade. Seus seguidores são doutrinados na técnica de perrequet e entoam seus mantras subvertendo valores e criando uma república para chamar de sua. Um mundo paralelo sem limites do absurdo subvertendo inclusive qualquer padrão de Janela de Overton que se possa estabelecer. O que vale é a farra, o oba-oba e a capacidade de se tocar a maior manada possível.
Pela primeira vez após a redemocratização, as leis servem de papel higiênico para os que têm mandato, as regras do jogo são usurpadas a grosso modo por quem pode mais e a desigualdade se escancara em todas as esferas institucionais da sociedade.
Nossa democracia, apesar de tudo, sobreviverá. Nossas instituições, mesmo atacadas de forma contumaz, sobreviverão. Nosso povo, apesar de desalentado e alienado de si e de seus mais sagrados valores, também sobreviverá. O que me preocupa é que quando se permite que sua Constituição seja atacada sem reação popular, ela vai sendo destruída, de forma sutil e gradativa até que nada reste sobrando apenas a idéia de uma constituinte a diluição dos nossos mais sagrados laços sociais. Mas, no submundo dos poderosos, isso pouco importa, pois o show tem que continuar.
Por Mardonio Gomes



