Não é segredo pra ninguém que o nosso pós pandemia traria uma retomada lenta e gradativa com uma demanda reprimida porém com um turista num raio de 500 a 1000 quilômetros. As características desse turista não são as mesmas daquele turista procedente de mercados consolidados do sul, centro-oeste e do mercado latino. Além disso, sabíamos que o tícket médio cairia exponencialmente por conta das incertezas que a retomada da economia e do consumo de bens e serviços trariam.
O trade turístico não se preparou ou se recusou a aceitar essa nova realidade e além disso, não conseguiu adaptar-se a um quadro de recessão junto a uma crescente inflação que eleva os custos operacionais e de manutenção dos meios de hospedagem e atua também na variação constante dos fretamentos turísticos reduzindo drasticamente o acesso a balneários como a nossa região Costa do Sol.
Vemos muito choro e lamúria e muita cobrança do trade por ações do poder público que parece estar tão perdido quanto cego em tiroteio. Salvo raríssimas exceções, o turista que temos hoje está sendo tratado como um “problema” quando deveria ser tratado como o que realmente é: a nossa única solução no momento.
A pandemia formatou tudo que poderíamos chamar de mercado certo ou consolidado e nos trouxe uma oportunidade de nos reinventarmos a partir do zero. Mas parece que mesmo com todos esses sinais e de já termos todo esse know-how, não estamos sabendo recriar roteiros, adaptar os serviços e adequar os eventos a um nicho de mercado que ainda está órfão e que tem dinheiro, ainda que pouco, para viajar.
As estruturas de cidades destinos estão abandonadas! Ruas e estradas destruídas, pontos turísticos pouco fomentados, ruas com fios de energia e telefonia caídos, árvores obstruindo acesso a hospedagens, fiscalização despreparada, etc.
Mas ainda temos praias lindas e um povo resiliente. O bom dos governos ruins é que eles acabam. O ruim é que pode vir pior. Espero de verdade que tanto o trade quanto o poder público olhem para a indústria do turismo com mais foco profissional e que haja vontade política para saber que fazer o óbvio é a única saída: INVESTIMENTO PESADO!!
Sem investimento, nenhuma indústria próspera! Sem investimento, qualquer cidade turística, no máximo, se torna um canto de veraneio. Sem investimento, o turismo morre. E sem turismo, morremos todos!!
Por Mardonio Gomes



