A Casa Verde está ficando pequena. Durante o processo de ascensão e queda do Bolsonaro, falamos aqui sobre paralelos ligados a um comportamento patológico que se desencadeou a uma alegoria de transtornos mentais como forma de escapar das consequências legais por crimes cometidos em seu governo.
Já falamos aqui sobre o Simão Bacamarte e sua Casa Verde traçando um paralelo entre o controverso personagem de Machado de Assis que constrói um hospício para a cidade a qual governa e, no final, acaba ele sendo o único louco do próprio hospício. Já falamos aqui sobre a banalidade do mal nos referindo à personalidade fria do exterminador de judeus Adolf Eichmann onde ele se apresentava apenas como uma peça na engrenágem nazista, um mero cumpridor de órdens se eximindo da responsabilidade de ordenar o extermínio de milhares de seres humanos em câmaras de gás em campos nazistas. Já falamos aqui sobre a alegação da loucura como estratégia de salvo conduto para alegar a única forma legal de inimputabilidade criminal levando Bolsonaro a se tornar colega de leito do seu polêmico algoz Adélio Bispo.
Na verdade, não foram profecias. Até porque se eu tivesse o poder de adivinhar o futuro, seria milionário pois usaria esse poder para ganhar seguidas vezes na loteria. Trata-se apenas de uma constatação de quem observa a política fora do calor dos ânimos de uma polarização que só poderia dar nisso.
Já falamos aqui que Bolsonaro é limitado e só faz aquilo que conhece; nada a mais ou a menos. Seu comportamento é similar a de um psicopata. Todas as suas ações são meticulosamente cauculadas, medidas e executadas em etapas. Nada, além do julgo vago de seus seguidores messiânicos, que se publica, comenta ou se diz do Bolsonaro é em vão. É exatamente aquilo que ele quer que seja veiculado. Inclusive este texto. Nenhum passo do Bolsonaro é dado sem que tenha um propósito futuro e alegar insanidade, depressão, inaptidão mental é apenas a primeira etapa.
Parece que, além de mim, o PT também percebeu isso. Não vejo empenho dos agentes do governo em torná-lo inelegível. Acabar com Bolsonaro agora, matar a cobra de vez, seria tirar da jogada um adversário que já se sabe como vencer e abrir espaço a outro que quem sabe seja vencido ou não.
A verdade é que o Hospício da Casa Verde, destino final do Alienista de Machado de Assis, está ficando pequeno para tantos “loucos” que estão surgindo e que eventualmente virão a surgir.
A loucura, para alguns, é o único refúgio. Para uns, refúgio de um mundo real opressor, impossível, insuportável e intransponível. Para outros, apenas uma espécie de anistia ao contrato social transgredido e sustentada por bons e caros advogados. Afinal, para Bolsonaro, sobraram ou a anistia da loucura ou a morte política da vida real. Resta saber qual das duas opções ele irá se auto sentenciar. Como ele mesmo disse em relação ao Adélio Bispo: “O fato dele ( Adélio) alegar insanidade o fará réu pelo resto da vida. Agora em um hospital psiquiátrico. Ou seria isso, ou alguns anos de cadeia. Ele escolheu se condenar à prisão perpétua. Terá que provar que é louco pra sempre”.
O fato é que a pior coisa de se construir e viver das teorias da conspiração é que haverá um momento fatídico em que elas crescem tanto que acabam engolindo seus próprios criadores. Talvez essa tenha sido a única lição que Bolsonaro e seus filhos não tenham aprendido com Olavo de Carvalho: a conta sempre chega.



