O aprofundamento das reformas liberais e do modelo de integração de forma passiva no processo de globalização da economia mundial (redução do Estado a um mínimo) com a compressão do gasto público tem provocado mudanças profundas na realidade brasileira e no debate econômico e político.
O desmantelamento da capacidade produtiva e dos instrumentos estatais de apoio ao desenvolvimento, privatização das empresas são reflexos diretos de um canto neoliberal que na prática precarizam a relação da população e dos agentes econômicos com os serviços públicos, assim como a falta de perspectivas de futuro com uma sonhada redução da carga tributária com um modelo mas justo e que permita o progresso econômico.
A desregulamentação da economia e em especial, das relações capital e trabalho, com a flexibilização da legislação trabalhista e a redução da cobertura e dos benefícios de proteção social não produziram os efeitos descritos na profecia dos ditos “economistas”, se não, o aumento da pobreza, da miséria e da perda de renda dos trabalhadores que deixaram de consumir bens e serviços necessários para o crescimento da economia.
Com efeito, nos ultimos anos, o Brasil teve avanços em algumas áreas, assim como graves retrocessos em outras, o que na prática deve ser um alerta para que sejam rediscutidas as estratégias que estiveram no centro das decisões políticas e econômicas, mas tendo como horizonte, uma proposta de futuro sustentável.
É necessário superar a era dos economistas circunscritos ao mercado financeiro e buscar um diálogo aberto com agentes politicos, econômicos, empresas e sociedade civil organizada. O Brasil que queremos é uma sociedade inclusiva, fundamentada nos valores do trabalho, desenvolvimento econômico e justiça social. Não obstante, vale lembrar no aperfeiçoamento das instituições e práticas democráticas, que são elementos constitutivos do processo de construção de um Estado voltado para o bem estar social.
O Brasil pode e deve ser uma nação economicamente sólida e dinâmica, capaz de sustentar endogenamente a expansão e renovação tecnológica do seu aparato produtivo e de garantir a geração de empregos de qualidade para sua força de trabalho, em um marco de respeito ao meio ambiente. Além disso, como não há igualdade sem autonomia, a sociedade do futuro deve ser soberana para gerir seus recursos naturais e definir seu próprio caminho de desenvolvimento e seu modo de inserção na economia e na estrutura de poder mundiais.
Por Roberto Rosa



