O debate quanto aos impactos da nicotina na saúde pública e dos desafios no enfrentamento ao tabagismo entre adolescentes e jovens marcou a tarde desta quarta-feira (27), dentro da programação do Dia Mundial sem Tabaco, celebrado em 31 de maio.Profissionais da área da saúde, representantes de escolas públicas e privadas, comunicadores e integrantes da Vigilância em Saúde participaram da iniciativa, que reforça o alerta sobre os impactos do tabagismo na saúde pública e chama atenção para o aumento do consumo de nicotina entre adolescentes e jovens..
Com o tema “Desmascarando o Apelo – Combatendo a Dependência de Nicotina e Tabaco”, da Organização Mundial da Saúde (OMS), a programação em Macaé contou com a presença da secretária executiva de Atenção Básica, Daniela Bastos; da coordenadora da Área Técnica de Prevenção e Controle do Tabagismo, Janaína Magalhães; da médica pneumologista, pesquisadora e mestre em Medicina Pública Internacional, Dra. Cláudia Magaldi (HPM e UFRJ); da enfermeira da Gerência Especial de Vigilância em Saúde, Vanessa dos Santos; e do médico, psicólogo, doutor em Psiquiatria e professor da UFRJ, Miguel Brito. Houve ainda participação online da Dra. Margareth Pretti Dalcolmo, da Academia Nacional de Medicina.
Dados internacionais mostram que pelo menos 15 milhões de adolescentes entre 13 e 15 anos utilizam cigarros eletrônicos. Em alguns países, crianças e jovens têm até nove vezes mais chances de usar esses dispositivos do que os adultosOs cigarros eletrônicos, também conhecidos como Dispositivos Eletrônicos para Fumar (DEFs) ou Vapes, incluem diferentes formatos e nomenclaturas populares, como: vapes descartáveis (pods descartáveis), pods recarregáveis, mods (modelos modificáveis) e canetas vaporizadoras (vape pens). Esses dispositivos funcionam por meio do aquecimento de um líquido que contém nicotina, aromatizantes e outras substâncias químicas, gerando um aerossol inalado pelo usuário — o que não elimina os riscos à saúde.
PALESTRAS – A programação incluiu as seguintes palestras:“Programa de Tabagismo de Macaé e o Dia Mundial sem Tabaco: Desmascarando o apelo – combatendo a dependência de nicotina e tabaco”, com Janaína Magalhães ,“A verdade sobre cigarros, tabaco e as novas modalidades”, com Dra. Margareth Pretti Dalcolmo ,“O Corpo em Alerta: Tabagismo, Saúde Mental e Regulação Emocional no Trauma”, com Miguel Brito e“E se a maior epidemia evitável da humanidade estiver mudando de forma?”, com Dra. Cláudia Magaldi
A abertura contou com apresentação institucional e integração entre Secretaria de Saúde, Atenção Primária, Vigilância em Saúde, Área Técnica de Controle do Tabagismo, Vigilância Sanitária e representantes acadêmicos.Para a secretária executiva de Atenção Básica, Daniela Bastos, o momento representa não apenas troca de conhecimento, mas também construção coletiva de políticas públicas. “Aqui sairão reflexões para o município e também para fora dele. Toda equipe é maravilhosa”, comentou, acrescentando que o encontro fortalece o compromisso da gestão municipal com a promoção da saúde e com ações contínuas de prevenção, especialmente voltadas ao público jovem, demonstrando a preocupação do governo em enfrentar um problema que vem se agravando em escala global.
Já a coordenadora da Área Técnica de Prevenção e Controle do Tabagismo, Janaína Magalhães, destacou a importância do debate e de ações práticas.
“Temos aumento quanto ao uso de cigarros eletrônicos e a modificação da nicotina, que atrai cada vez mais jovens. Desejamos que estratégias e trabalhos pontuais sejam realizados para serem aplicados, principalmente em escolas, diante dos projetos pedagógicos e eventos, como feiras de ciências”, afirmou.
Ela acrescentou que o enfrentamento exige articulação entre educação, saúde e promoção social, com foco na prevenção precoce e na informação qualificada.
Para a médica e mestre em Medicina Pública Internacional, Dra. Cláudia Magaldi, é fundamental manter o tema em evidência.
“O tema da campanha nacional é foco para que se tenha consciência coletiva em prol de reflexões e ações em que se tenha atuação de agentes de promoção da saúde. Este debate é fruto de uma ação conjunta voltada também para responsabilidade social. Essa data, 31 de maio, tem papel crucial e é um marco para que possamos repensar, refletir e criar estratégias. Esta é uma luta da sociedade como um todo, pois o uso de cigarro eletrônico se tornou um problema grave. Que hoje seja o início de um movimento importante quanto ao assunto”, ressaltou.
Virtualmente, a Dra. Margareth Pretti Dalcolmo abordou “A verdade sobre cigarros, tabaco e as novas modalidades”.
“Este evento é de grande relevância. Hoje a situação está preocupante com o advento e aumento de usuários de cigarros eletrônicos. A política persuasiva da indústria do tabaco destacou novas modalidades de cigarro e ainda têm a taxa baixa do imposto. Com a inovação para atrair fumantes, a indústria criou filtros novos e diferentes, cigarros mais finos e um mercado atraente. Com isso, o número de crianças e jovens usuários aumentou e eles estão cada vez mais adoecidos. A OMS está atenta quanto ao registro de mortes e internações”, citou.
Ela também alertou para o nível de dependência.
“Hoje o uso durante cinco dias já deixa a pessoa viciada, pois a proporção é 100 vezes superior ao cigarro convencional, já que a concentração de nicotina é maior e a composição também apresenta substâncias cancerígenas, o que faz com que cada vez mais jovens apareçam com câncer de pulmão. Os primeiros sinais são tosse e perda da performance na atividade física. Parabenizo Macaé por formular ações e estratégias voltadas para este tema, que podem se destacar e avançar localmente, no estado e também no país”, comentou.
A Dra Margareth Dalcomo acrescentou que esses dispositivos, conhecidos como VEPs (Produtos ou Dispositivos Eletrônicos para Fumar), que apesar de muitas vezes serem apresentados como alternativas menos nocivas, os VEPs representam sérios riscos à saúde, principalmente pelo alto potencial de dependência e pela presença de compostos tóxicos e cancerígenos.
A enfermeira da Coordenação da Gerência Especial de Vigilância em Saúde, Vanessa dos Santos, salientou que a data é importante para discussões valiosas e efetivas quanto à saúde pública, reforçando o papel da vigilância na prevenção e no monitoramento dos impactos do tabagismo.
O médico e professor da UFRJ, Miguel Brito, destacou o aprofundamento técnico do tema. “Queremos construir caminhos e hoje o meu tema central é o psicotrauma. Quem atua na área de saúde terá a oportunidade de refletir ainda mais. Parabéns a todos da organização”, afirmou, acrescentando que o psicotrauma se refere aos impactos emocionais e psicológicos causados por experiências estressantes ou traumáticas, que podem afetar o comportamento, a regulação emocional e até favorecer o desenvolvimento de dependências, como o uso da nicotina, especialmente entre jovens em situação de vulnerabilidade.
Participante do encontro, Virginia Nogueira ressaltou a relevância do debate tanto no âmbito social quanto pessoal.
“Esse tema é extremamente importante, principalmente para quem atua na Pastoral da Ecologia Integral, onde discutimos o cuidado com a vida e com o meio ambiente de forma ampla. Além disso, tenho familiares que enfrentaram problemas pulmonares, o que torna esse debate ainda mais próximo da minha realidade. É fundamental ampliar a conscientização, principalmente entre os jovens, para evitar que mais famílias passem por essas situações”, destacou.
O encontro foi encerrado com uma roda de diálogo e construção de propostas entre os participantes.
Além das ações educativas, o município conta com o Programa de Prevenção e Controle do Tabagismo para atender pessoas que desejam parar de fumar ou necessitam de apoio para permanecer longe da nicotina. O atendimento é realizado por equipe multidisciplinar e inclui acompanhamento individual, grupos de apoio e práticas integrativas.O programa funciona na Casa da Convivência, localizada na Rua Visconde de Quissamã, 482, no Centro de Macaé, além de unidades básicas de saúde do município.
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