Enquanto tentam ocupar o papel de principais críticos do governo do prefeito Alexandre Martins, o vereador Toni Russo e o ex-vereador Lorram Gomes da Silveira protagonizam aquilo que muitos eleitores enxergam como um verdadeiro teatro político: discursos inflamados contra a administração municipal, acompanhados de uma tentativa constante de ocupar o palco da moralidade pública, apesar dos graves questionamentos judiciais e eleitorais que cercam suas próprias trajetórias.
Na política, a oposição exerce um papel fundamental para a democracia. Fiscalizar, cobrar resultados e apontar erros faz parte do jogo democrático. O problema surge quando aqueles que se colocam como símbolos da moralidade pública precisam, eles próprios, responder a questionamentos sérios perante a Justiça e os órgãos de controle. Como diz o ditado popular, olhar o próprio rabo.
O caso de Lorram Silveira é emblemático. O ex-vereador teve mantida pela Justiça sua condenação pelos crimes de corrupção passiva e organização criminosa. Embora a pena tenha sido reduzida em segunda instância, a condenação foi preservada. Não se trata de acusações políticas lançadas por adversários, mas de uma decisão judicial que reconheceu sua participação nos crimes apontados pelo Ministério Público. Ainda assim, Lorram continua tentando ocupar espaço no debate público como voz de acusação contra a atual gestão, ignorando que sua própria trajetória política permanece marcada por um dos episódios mais graves da história recente do município.
Já Toni Russo enfrenta um cenário igualmente delicado. O Ministério Público Eleitoral pediu ao TRE-RJ a cassação de seu mandato, sustentando que houve extrapolação superior a 300% do limite legal de autofinanciamento de campanha. Segundo a Procuradoria Regional Eleitoral, a irregularidade teve potencial para comprometer a igualdade de condições na disputa eleitoral. Caberá à Justiça Eleitoral decidir o caso, mas é impossível ignorar o peso de um parecer tão contundente contra um parlamentar que diariamente tenta se apresentar como fiscal dos atos do Executivo.
O que torna a situação ainda mais contraditória é que Toni Russo não surgiu na política como adversário histórico da atual administração. Pelo contrário. Durante anos integrou a base política que sustentou o governo municipal e participou do ambiente político que hoje critica com tanta veemência. A mudança de posição é legítima na democracia, mas inevitavelmente desperta questionamentos quando vem acompanhada de discursos cada vez mais agressivos e de uma tentativa de reescrever a própria trajetória política.
A população de Búzios merece uma oposição responsável, preparada para apresentar propostas e discutir soluções para os problemas da cidade. O que não merece é assistir a uma disputa baseada exclusivamente em ataques, enquanto figuras centrais desse grupo político convivem com condenações judiciais, Lorram condenado e Toni Russo com o mandato em risco após pedido de cassação feito pelo Ministério Pùblico Eleitoral. Estão mais sujos que pau de galineiros e querem posar de bons samaritanos.
No fim, a credibilidade continua sendo o ativo mais valioso de qualquer agente público. E ela não é construída apenas por discursos nas redes sociais, vídeos de fiscalização ou críticas ao governo de plantão, em busca de uma boquinha ou investida contra empresários. É construída pela coerência entre aquilo que se fala e aquilo que a própria trajetória política demonstra. Em Búzios, essa é uma conta que parte da oposição ainda precisa prestar aos eleitores.




