Terça-feira, Maio 12, 2026
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Homem morto “assina” documento em projeto financiado por emenda de Carlos Jordy no valor de R$ 4,8 milhões

Uma proposta de prestação de serviços apresentada em fevereiro de 2024, dentro de um projeto bancado por verba pública, foi assinada por um homem que já estava morto desde novembro de 2023. A assinatura consta em uma pesquisa de preços ligada ao projeto Mais Rio em Movimento, que recebeu R$ 4,8 milhões em recursos oriundos de uma emenda parlamentar do deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ). A proposta foi apresentada pela empresa Transtar Serviços Empresariais e trazia a assinatura de Edson Diniz Ângelo, que morreu três meses antes da data do documento.

A empresa é apontada como participante recorrente em pesquisas de preços de organizações contratadas com verbas públicas, embora nunca tenha sido de fato escolhida nos processos. A suspeita é de que sua participação seja apenas para simular competitividade em licitações, configurando possível fraude. O projeto em questão é executado pelo Instituto Realizando o Futuro, em parceria com a Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), e prevê aulas esportivas gratuitas em comunidades do estado, principalmente em Niterói, cidade onde Jordy tem base eleitoral.

Carlos Jordy declarou que não tem envolvimento na gestão dos recursos nem na contratação dos fornecedores, e afirmou ter interesse na apuração dos fatos. Desde 2023, o parlamentar já destinou cerca de R$ 13 milhões em emendas para ONGs que operam projetos semelhantes. Após denúncias, cerca de R$ 9 milhões foram redirecionados para outras entidades sem histórico de recebimento de recursos federais. A Unirio, parceira no projeto, afirmou que a presença da assinatura de uma pessoa já falecida causa estranheza e que a situação pode configurar falsidade ideológica ou falsificação de assinatura. A universidade aguarda a conclusão da prestação de contas e poderá solicitar a devolução dos recursos, caso não haja comprovação suficiente da execução dos serviços.

A reportagem apurou que a Transtar não funciona no endereço registrado e que a Justiça Federal já tenta localizar seus representantes, sendo que a empresa possui dívidas com o fisco superiores a R$ 140 mil. A proposta apresentada pela Transtar não foi vencedora. Quem efetivamente prestou o serviço de transporte foi a Telecoop Cooperativa, contratada por R$ 8.320 mensais, totalizando até agora R$ 124.800 pagos. No entanto, não há detalhes claros sobre o uso dos carros, como quilometragem, rotas ou consumo de combustível. A Telecoop afirma que as informações estão nas notas fiscais, e o Instituto Realizando o Futuro diz que os veículos foram utilizados por suas equipes e pela Unirio.

O caso levanta questionamentos sobre a transparência e o controle na execução de projetos financiados por emendas parlamentares, sobretudo aqueles operados por organizações sociais privadas. A investigação segue em curso e pode gerar desdobramentos judiciais.

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