Investimento de R$ 3,1 bilhões em melhorias no saneamento inclui tecnologia de ponta contra perdas no sistema de abastecimento e vem levando o recurso para mais pessoas
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Centro de Operações Integradas (COI) da Águas do Rio permite monitoramento em tempo real das operações. Rio é o estado com o segundo menor indicador de perdas de água do país.
O Brasil desperdiça, todos os dias, cerca de sete bilhões de metros cúbicos de água tratada, o equivalente a quase 7.636 piscinas olímpicas, em vazamentos e ligações clandestinas. Os dados, divulgados no mês de junho deste ano, são resultado do mais recente estudo a respeito das perdas de água tratada no país, divulgado pelo Instituto Trata Brasil. Realizado com base em dados públicos do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), referentes a 2022, o trabalho foi desenvolvido em parceria com a consultoria GO Associados.
Para se ter uma ideia do tamanho do desperdício, o volume é o suficiente para abastecer 54 milhões de brasileiros por um ano, sendo que, neste momento, mais de 32 milhões deles vivem sem o recurso. A água potável perdida na operação seria suficiente para abastecer com sobras toda a população do Rio Grande do Sul, de 10,6 milhões de habitantes. Ou todos os 17,9 milhões de brasileiros que vivem em comunidades por mais de três anos.
— Ainda temos um índice de 37,8% de perdas de água, mesmo que uma portaria do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional estipule a meta nacional de 25% de perdas até 2034. Se o objetivo for alcançado, teríamos um ganho financeiro bruto de R$ 40 bilhões — explica Luana Pretto, presidente executiva do Instituto Trata Brasil.
TECNOLOGIA APLICADA
Entre os caminhos apontados pela especialista para a melhoria do quadro atual, que incluem o monitoramento e a gestão eficiente de dados, também está o papel fundamental das concessionárias.
— Para garantir maior controle, é importante ter uma modelagem hidráulica do sistema, entender a vazão e a pressão ao longo da distribuição, identificando onde estão os vazamentos, sejam os ocultos ou os visíveis. Assim, com base em gestão de dados, transformando a informação em conhecimento, perde-se um volume menor de água. Em relação às concessionárias, elas são responsáveis pelo fornecimento, pela produção e pelo controle, que se estende até o hidrômetro da casa do cidadão. É importante que elas atuem para garantir que o controle seja mais efetivo.
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Válvulas inteligentes da Águas do Rio ajustam automaticamente o fluxo conforme a demanda de água da região — Foto: Divulgação/Águas do Rio
A boa notícia é que já podem ser observados resultados do esforço nacional em impulsionar o setor, iniciado na década passada e acelerado pelo novo Marco Legal do Saneamento, que visa proporcionar segurança jurídica que fortaleça as parcerias entre Estado e empresas privadas.
O índice atual de perdas, por mais preocupante que seja, é o menor dos últimos cinco anos — no levantamento com dados relativos a 2021, o percentual era de 40,25%, sinal de que o setor tem se movimentado na busca por avanços, que se mostram desiguais de acordo com a região do país.
O Rio de Janeiro está avançando rapidamente desde o início dos trabalhos da Águas do Rio. A concessionária implementou uma série de soluções tecnológicas que, combinadas, levam a um novo nível de controle para as perdas.
— O setor, em geral, está defasado em relação à adoção de tecnologias. De nossa parte, formamos um portfólio com base em soluções bem-sucedidas em outros setores da economia e que nos permite melhorar a qualidade do atendimento prestado, reduzindo perdas e levando água para quem mais precisa — aponta Sinval Andrade, diretor institucional da Águas do Rio.
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Morador do Éden, em São João de Meriti, há 40 anos, Hélio Chaves, de 78, comemora o acesso a água potável em casa, após instalação de sistemas de bombeamento pela Águas do Rio — Foto: Divulgação/Águas do Rio
BENEFÍCIOS SOCIAIS
As soluções utilizadas pela concessionária conciliam imagens de satélites e soluções de monitoramento em tempo real, reunidas no Centro de Operações Integradas (COI) da concessionária, instalado na Praça Mauá, na Zona Portuária carioca.
Passam ainda pela implementação de válvulas inteligentes, que abrem e fecham de forma automática a partir da demanda local. Dessa forma, reduzem os vazamentos por conta da alta pressão dentro das tubulações.
O esforço em modernizar os sistemas faz parte do investimento de R$ 3,1 bilhões que a concessionária já realizou desde que entrou em operação há dois anos e meio. Dessa forma, três bilhões de litros de água deixaram de ser desperdiçados por mês, um volume que passou a abastecer cerca de 600 mil pessoas. Caso de Hélio Chaves, aposentado de 78 anos, morador de São João de Meriti.
— Moro aqui há 40 anos, e muitos de nós aqui na vizinhança tínhamos hidrômetros instalados, mas a água não subia. Agora, jorra água!
E também de Darley Campos, moradora e líder comunitária do Largo da Ideia, em São Gonçalo.
— Vim à inauguração das primeiras ligações de água, que aconteceram na escola e no posto de saúde, porque precisava estar aqui para ver esse momento muito importante para mim e para todos os moradores do bairro. Estamos muito felizes com a chegada da água.
Como aponta o estudo inédito do Instituto Trata Brasil, as perdas representam desequilíbrios na distribuição de água. É nessa direção que o trabalho da Águas do Rio caminha, avalia Andrade.
— Herdamos uma perda de água da ordem de 65%. A meta é reduzir para 25% em dez anos, e estamos comprometidos a alcançar esse objetivo, levando mais água potável para mais pessoas, dia e noite.
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