Terça-feira, Maio 12, 2026
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VIDEO | Pastor chama Silas Malafaia e André Valadão de mensageiros de satanás por pregações de ódio e preconceito

“Jesus é muito melhor do que nos contam”. A definição é do pastor Hermes Carvalho Fernandes, de 53 anos, que também é psicólogo, escritor e doutor em Ciências da Religião. Fundador da Igreja Reina, no subúrbio do Engenho Novo, no Rio de Janeiro, ele ganhou projeção nacional não fugindo a polêmicas e enfrentado temas polêmicos do fundamentalismo cristão evangélico. Em um vídeo recente, ele aponta para a plateia de um culto lotado e, com dedo em riste, afirma com firmeza que “homossexualismo não é um espinho na carne”. Com a frase, que se contrapõe à homofobia explorada por líderes evangélicos populares, ele “furou a bolha”, como costuma dizer. A pregação alcançou nada menos que 1 milhão de visualizações, três vezes mais do que takes conservadores de seu extremo oposto, o pastor André Valadão, à frente de um potente império evangélico, a Igreja Lagoinha, que, em Orlando, pouco antes da parada LGBTQIAP+ de São Paulo, disse que “Deus odeia o orgulho”.

Os compartilhamentos desenfreados do vídeo antihomofobia de Hermes revelam que há seguidores religiosos em um nicho que cresce à margem de discursos conservadores como os de Valadão e outros como Silas Malafaia e o deputado federal-pastor Marcos Feliciano. Nas redes sociais, há corações abertos para uma leitura mais progressista da Bíblia que apoiam o pastor quando, por exemplo, ele exaltou declarações da apresentadora Xuxa que falou sobre sua vida sexual livre e que já tinha feito sexo em lugares públicos. Hermes dedicou um post para defender a Rainha dos Baixinhos e atacar os falsos puritanos. “Para muitos cristãos puritanos, declarações como estas soam escandalosas, fogem completamente do ideal de uma relação sexual dentro dos padrões bíblicos. Ledo engano. Acho que não pararam para ler Cantares, o livro mais sexy das Escrituras”, afirmou. Mas nem só de amor vive Hermes que enfrenta também haters dogmáticos.

Hermes se consagra como pastor “diferentão” rechaçando a ideia de um Deus preconceituoso, além disso, ele condena o dízimo obrigatório e defende pautas como a legalização da maconha e do aborto – “são questões de saúde pública e não de polícia”. Na pregação viralizada em que defende o direito dos homossexuais, ele chama os pastores Silas Malafaia e André Valadão de “mensageiros de Satanás”. Desde então, o número de seguidores cresce. No Instagram, eles já somam 138 mil pessoas, parte delas chegaram ao perfil após ver a gravação. O pastor, entrentanto, relata que também chegaram dores de cabeça, algumas na forma de ameaças, que já fizeram com que pensasse em abandonar tudo e sair do país.

– Eu recebo mensagens de ódio todos os dias. Me mandam mensagens privadas e eu faço questão de publicá-las, para todo mundo ver. Algumas, inclusive, com teor de ameaça. Em outubro do ano passado, por exemplo, durante o frenesi eleitoral, eu decidi me ausentar do país por conta disso. Fiquei três meses fora porque temia pela minha segurança. A nossa igreja (no Rio de Janeiro) foi invadida mais de uma vez, roubada, defecaram no púlpito. Tudo isso me fez pensar em deixar o país até em definitivo. Mas esperei a poeira assentar e resolvi voltar. Mas não porque as mensagens pararam; elas continuam.

Virada de chave

Perguntado sobre a postura pouco convencional dentro da Igreja Evangélica, o pastor Hermes conta que nem sempre foi assim. Quando herdou a missão de apresentar os cultos, lembra, tinha apenas 17 anos, e uma cabeça completamente diferente da que tem hoje. Ele conta que dois acontecimentos mostraram que sua visão sobre o mundo precisava mudar. Neto e filho de pastores evangélicos, o atribulado nascimento da filha, em 1995, foi o gatilho para uma profunda mudança interior.

– Eu sou pastor há 36 anos e venho de um contexto fundamentalista. O meu pai era pastor, o meu avô era pastor. Sou uma terceira geração de pastores. Mas Deus me presenteou, em 1995, com o nascimento da minha filha. Por conta de um erro médico, faltou oxigenação no cérebro dela, o que ocasionou um déficit cognitivo e motor. Isso mudou radicalmente a minha vida. Ter uma filha deficiente fez com que eu lançasse um novo olhar sobre a discriminação que as pessoas sofrem – recorda-se. – A partir disso, vem a segunda virada de chave, que foi quando resolvi cursar, depois de teologia, psicologia. O exercício da psicologia definitivamente me fez ver a experiência humana de forma mais empática. Me ajudou muito a entender melhor o dilema humano.

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