“Devemos duvidar de tudo e qualquer coisa. A única certeza é que eu não posso duvidar de que eu duvido. Se eu duvido eu penso e se eu penso, logo existo.”Renê Descartes.
Pois é. Essa foi a primeira grande certeza da filosofia. A contestação da Escolástica de Thomás de Aquino começa pela crítica à autoridade e ao teocentrismo no século XVII. A razão passou a ser buscada através da ciência, e principalmente da Matemática.
De tempos em tempos, retornamos ao pensamento metafísico e ao apego divino para justificar nossa incapacidade de solucionar problemas reais. Não por serem insolúveis mas por serem complexos. Associar líderes políticos a salvadores da pátria é um caminho fácil usado para ocultar sua incapacidade de governar a uma compensação divina. Líderes que usaram a religião como mérito se tornaram absolutistas, ditadores e déspotas da história.
A nossa democracia e nossa globalização nos trouxeram de volta a necessidade de nos tornarmos mais plurais e reflexivos. Porém, na contramão do senso crítico, há a dualidade da fé cega e da faca amolada. A mesma fé que revela o profeta da anunciação, corta a carne de quem por ela é manipulado, governado.
Com isso, ao invés de se colocarem como gestores da coisa pública, a maioria dos postulantes ao poder, se apresenta como homens de bem, tementes a Deus e defensores da família no melhor sentido religioso do termo. Enquanto se vendem como anjos, vestais e sinônimos de pureza, semeiam o ódio e o medo nas massas. Não há nada mais poderoso do que a fé cega para que as massas se automutilam com sua faca amolada. Com isso, peço a todos que pensem! Apenas pensem! “Duvido, logo penso. Penso, logo existo”.
Mardonio Gomes, um cidadão comum.



