A nossa constituição cidadã nos garante direito à educação, saúde, habitação, saneamento básico, acesso ao direito, dentre outros inúmeros que alienamos no nosso dia a dia. Porém, no julgo popular, o mais difundido é o direito de ir e vir. Tão elementar quanto o ato de respirar. O acesso a internet veio bem depois da constituição e entramos em um paradoxo inusitado: Será que nossa sociedade estava preparada para tanta liberdade na internet? Eu pessoalmente acho que a internet não estava preparada pra nós.
O nosso lugar de fala, nosso parque de diversões, nossa zona de faroeste, satura todos os limites de nossa criatividade em transgredir princípios como moral e ética. Um território livre para ser o que quiser sem limites ou preocupações em ter que arcar com consequências dentro de um contrato social. Será?
Não! Não é bem assim. Aqui dentro, onde os seres são “livres” ou se sentem livres, se traz a reflexão de Jhon Locke sobre o homem em estado de natureza onde “o homem é o lobo do próprio homem”. Mas não é bem assim. Tudo tem consequências. Qualquer um pode sair de casa e assaltar um banco. Mas por que não fazem? Porque se fizerem e forem pegos haverá leis para puni-los. Assim como roubar um comércio, matar, ameaçar, discriminar e também mentir. Na internet, pessoas e instituições são roubadas, pessoas são levadas a matar, ao suicídio, mentem e dissiminam mentiras e não há consequências. O mundo paralelo perfeito para ser aquilo que não se pode ser no mundo onde os livros da lei são soberanos.
Aí chegamos ao seguinte ponto: O que é mais importante? A liberdade desenfreada mas sem a mínima segurança ou é melhor se ter um limite com punições severas a quem transgredi-los em nome de uma segurança maior da sociedade? Será mesmo que estamos preparados para ter mesmo tanta liberdade a ponto de abrirmos mão da nossa própria identidade real para viver a partir do mundo digital? Kant diz que ” ser livre é fazer aquilo que não se quer fazer pois, quando se faz tudo que se quer, então se é escravo dos próprios desejos, portanto, não há liberdade.”
É preciso definir controle no que se publica no mundo descontrolado da internet.Definitivamente não sabemos conviver em sociedade sem regras, sem leis e sem limites. Nem mesmo o constitucionalismo de Webber previu o descontrole do comportamento humano. Até mesmo Jesus vivia e pregava sob as leis judaicas de seu tempo. O que precisa ficar claro é que todos podem ter a liberdade de ser, fazer e dizer o que quiser, desde que arque com as consequências.
Por Mardonio Gomes



