A liberdade é um grande valor ocidental e o próprio autor de tragédia gregas, Sófocles, acentuava que todas as ações humanas que ignoram limites levam à destruição. Estamos em crise. Diante dessa reflexão, cabe uma pergunta na leitura de Nietzsche: liberdade de que ou liberdade para quê? Pode ser uma indagação útil para a formulação de uma política pós-liberal. Ainda não conheço seus contornos, mas acredito que regulamentar as redes sociais é um dos seus passos imperativos e embrionários
Na semana passada, um artigo na revista Atlantic apresentava um trabalho sobre extremismo político e religioso nos EUA com a expressão “nova anarquia”. A publicação faz uma provocação quando afirma ser possível que tenhamos chegado perto de uma nova expressão do anarquismo, mas sem o romantismo e a fundamentação do passado. Apenas um mundo de teorias conspiratórias, sem base real compartilhada, um espaço hostil a qualquer relação de confiança.
É inegável que estamos vivendo um momento de hiperindividualismo que nos empurra para a solidão. Todo o sistema está em crise, perdemos a noção de valores civilizatório e as tragédias humanas se tornam cotidianas e não causam mais indignação. As relações em todos os níveis não satisfazem.
Pela lei da física, o planeta sempre está em movimento, sempre transmutando, mas não podemos perder a noção do correto e justo e de sentimentos bons e fraternos diante desta nova realidade.
Por Roberto Rosa.



