Terça-feira, Maio 12, 2026
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O PODER DA FÉ, DA CRENÇA E FANATISMO

Será que somos realmente uma espécie em constante evolução ou nossas limitações nos fizeram girar atrás do próprio rabo buscando verdades em cima de retóricas nos fazendo desmoronar como um castelo de cartas ao mais brando sopro de uma brisa? Vemos virtude onde há apenas maldade pela propensão de crer ou seria por uma necessidade quase física de ter fé em alguma coisa, mesmo que seja em uma coisa qualquer?  Às vezes me pergunto, sob quais critérios éticos e morais nossa sociedade se guia. A Geração Coca-Cola era mais ou menos inconsequente que a Geração Z? Ainda não consegui encontrar essa resposta. 

Fabricamos uma geração que está proibida de se frustrar, sofrer, e saborear perdas e derrotas. Transferimos nossa perspectiva de Super-homem a uma geração que mal consegue abrir um pote de compota e a culpamos por isso. Nossa fé, ou nossa crença não é nossa! Alguém sempre diz em que devemos acreditar e a quem devemos seguir e acabamos tomando pra si essa missão com devoção e liturgia. Perdemos nossa personalidade, nossa liberdade e gostamos disso. Quando não conseguimos explicar ou nos justificarmos dos porquês, sempre dizemos que é em nome de algo maior.

A crença é uma necessidade da qual aideologia se alimenta. A síntese do pensamento passa a ser uma arma poderosa e aqueles que a financiam o fazem pois, se não o fizerem, acabam por ser vítimas dela. Sempre haverá fundos para as ideologias de dominação das massas.

A reedição da tentativa de golpe no último dia 8 na Esplanada, assim como a dos integralistas em 11 de Maio de 1938, mostrou que a história no Brasil se repete até mesmo em seus capítulos mais trágicos e toscos. Assim como em 1938, os golpistas de hoje acreditam piamente que os seus atos foram virtuosos e se consideram salvadores da pátria. A servidão voluntária de Étienne de La Boétie nunca foi tão escancaradamente posta em prática como agora.

O líder ao qual eles e seu movimento se identificam já é rei posto mas o discurso, a idéia, a “causa”, por mais esdrúxulos que sejam, pairam vivos nos corações e mentes dessa gente. Derrubar um ídolo ou até mesmo um mito é fácil, principalmente na democracia, difícil é se apagar uma ideia, uma crença, uma fé.

Por Mardonio Gomes

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