Durante o processo revolucionário começado em 1789, na França, os girondinos, considerados mais moderados, pois defendiam o status quo e os patrões, ocupavam o lado direito da Assembleia Nacional Constituinte, enquanto os jacobinos, mais radicais, pois lutavam por direitos trabalhistas ocupavam o lado esquerdo. Essa é a origem da nomenclatura política que categoriza os posicionamentos políticos no interior dos sistemas políticos contemporâneos.
Essa polarização tem suscitado inúmeros problemas e demasiadas polêmicas, sobretudo porque, a partir do século XIX, houve uma radicalização ideológica tanto de um lado quanto do outro. O desenvolvimento das ideias de autores considerados de direita, como Donoso Cortez e Charles Maurras, bem como o daqueles considerados de esquerda, como Karl Marx e Bakunin, entre outros, estimulou gerações de intelectuais, movimentos políticos e ativistas que levaram às últimas consequências a crença em sua ideologia.
Em geral, ambos os segmentos ideológicos, seja de direita, seja de esquerda, quando chegam à sua forma extrema, desenvolvem perspectivas idealizadoras com vistas à “transformação do mundo”. Essa perspectiva utópica tem seus fundamentos, tanto na direita quanto na esquerda, na secularização das expectativas apocalípticas cristãs, que, no sentido original, tinham por meta aguardar a segunda vinda de Cristo e o juízo final. Com o advento do mundo moderno, tais expectativas transferiram-se para o domínio terreno e, grosso modo, para a ação política e seu principal agente de transformação, o Estado.
As ideias de Karl Marx são a base teórica para os progressistas. Os ideólogos de esquerda pretendem aperfeiçoar o mundo por meio de políticas que instaurem a justiça social, ou o igualitarismo, ou a socialização dos meios de produção econômica, ou qualquer outra ação que remeta à ideia de igualdade. Já os ideólogos de direita pretendem perfectibilizar o mundo a partir de uma perspectiva idealizada do passado e da tradição, de valores nacionais ou religiosos. Cada qual dos lados, em diversos momentos da história (sobretudo no século XX), empenhou-se até a barbárie para fazer valer sua visão ideológica de mundo.
Essa divisão, contudo, pode limitar a compreensão de perspectivas mais complexas sobre a política. Geralmente, a alcunha “direitista” é aplicada sem muita acuidade crítica ao pensamento conservador. Do mesmo modo, a alcunha de “esquerdista” é aplicada às reflexões e propostas progressistas. As ideias de Edmund Burke são bastante influentes entre os conservadores. Conservadores e progressistas, não raro, associam-se com liberais. É o caso, por exemplo, de quem defende ideias progressistas, como o aborto, políticas de cotas etc., mas defende o liberalismo, ou ao contrário, quem defende política antiaborto, política contra as cotas e contra programas sociais fomentados pelo Estado, mas também se ajusta, igualmente, à prática do liberalismo econômico.
Do ponto de vista político e ideológico, progressistas e conservadores divergem, mas concordam, por vezes, quanto à economia. Vê-se, então, que o problema é mais complexo do que se imagina, daí surge o centro. As raízes do pensamento conservador e progressista remontam ao século XVIII, especificamente às figuras de Edmund Burke e Jean-Jacques Rousseau, respectivamente. O primeiro é uma das principais fontes do pensamento conservador contemporâneo, e o segundo, do pensamento progressista, que se bifurca em liberais moderados, reformistas e revolucionários. Recorrentemente podemos observar, tanto em discussões entre políticos de carreira quanto entre formadores de opinião pública, professores universitários ou mesmo pessoas comuns, por meio das redes sociais, os termos direita e esquerda sendo utilizados para qualificar ou desqualificar a postura político-ideológica de uns e de outros. O problema é que, na maioria dos casos, os debatedores empregam mal essas expressões, por não conhecerem a carga ideológica que elas comportam, e também raramente sabem em que contexto elas nasceram.
Um assunto muito complexo, em que se acirram nas eleições. Eu por exemplo me identifico como social democrata de centro esquerda, onde o governo precisa atuar na questão social, princípio básico de uma sociedade justa e igualitária, na defesa imperativa da democracia e da constituição, dando uma estrutura jurídica do Estado de direito, onde as liberdades individuais e os direitos humanos norteiem a sociedade. E progressista, pois estamos em constante evolução e temos que achar soluções para os acontecimentos que surgem, para assim podermos viver em harmonia na sociedade.
Por Roberto Rosa, Ativista Político



