Finalmente nosso presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva foi empossado, mesmo depois de dois meses de tentativas golpistas promovidas pelos apoiadores extremistas de Bolsonaro. A ausência do ex-presidente Bolsonaro na verdade foi um livramento de Deus, pois deixou o evento leve e com uma energia mágica.
No momento mais emocionante da posse, quando Lula subiu a rampa levado simbolicamente pelos representantes do povo, seus apoiadores vibraram e como num grito de um gol, levou a multidão ao delírio, um
momento histórico e emocionante. Milhões de brasileiros presentes ou assistindo pela televisão se emocionaram e foram às lágrimas, eu fui um deles.
Para sair da crise, crescer e se desenvolver, o Brasil precisa voltar a ser um país normal. A normalidade democrática está consagrada na Constituição”. Um “país normal” é tudo o que queremos de volta para poder acordar de manhã sem medo de olhar as notícias no celular, ir para a escola ou o trabalho, saber que voltaremos vivos, poder planejar a vida e comprar comida em condições mais dignas de existência e oportunidades.
Após doze anos depois de deixar o governo, Lula entra agora num terceiro mandato, sabendo que terá pela frente um desafio muito maior do que em 2002, quando foi eleito pela primeira vez. Sua responsabilidade agora é infinitamente mais pesada porque vai encontrar uma terra arrasada, a economia em frangalhos e um povo deprimido pelos quatro anos de desmandos, destruição, ameaças, violência e mortes.
Lula promete uma “revolução pacífica”, para devolver o fascismo ao esgoto de onde nunca deveria ter saído. No seu discurso, o ex-presidente tratou de todos os assuntos que afligem hoje a população brasileira. nada ficou de fora. Da defesa do meio ambiente e da Amazônia, com a transição para um novo modelo de desenvolvimento sustentável, à distribuição de renda, dos investimentos em educação, saneamento e moradia à retomada do consumo e do reconhecimento da cultura como um grande gerador de riqueza e empregos.
O seu pronunciamento foi simbólico e carregado de compromissos, ou seja, tudo ao contrário do que foi feito nos últimos anos, em que a soberania nacional e os direitos dos indivíduos, especialmente os mais vulneráveis, foram usurpados.
Lula é hoje, a esperança que resta ao Brasil. Não é a primeira, a segunda nem a terceira. Ele é a única esperança para o Brasil. Sinto Lula tão animado como ao começar a primeira, em 1989, quando era um jovem outsider. Sua nova companheira Janja tem estado ao seu lado e aos 77 anos está feliz e isto é um bom sinal, porque ninguém gosta de ser governado por pessoas infelizes.
“Fui vítima de uma das maiores perseguições políticas e jurídicas da história deste país, mas não esperem de mim ressentimentos, mágoas ou desejos de vingança”, foram 580 dias que passou preso por condenações da Lava Jato que depois seriam anuladas pelo Supremo Tribunal Federal.
Assim como quase todo mundo, fora os saudosistas da ditadura militar, Lula quer mais é falar do futuro, do que pretende fazer para tirar o país do buraco, dando como garantia o que já realizou nos seus governos anteriores, aprovados por mais de 80% da população em todas as pesquisas. A agonia vai diminuir e vamos virar as páginas mais tristes da nossa história.
Não deixem a esperança morrer. É importante que a nossa emoção sobreviva. O velho Lula está fazendo a parte dele para voltarmos a viver num “país normal”, tudo o que esperamos. O gigante acordou, sobreviveu a esse desastroso governo que findou. Embora num primeiro momento ainda machucado e dividido, nosso país é maior do que tudo isso e que sua riqueza seja distribuída com mais justiça e igualdade social, origem de quase todas as nossas mazelas.
Ó pátria amada Brasil, sigamos em frente, altivos, vibrantes e otimistas. A esperança voltou, sem medo de ser feliz.
Por Roberto Rosa, Ativista Político



