Terça-feira, Maio 12, 2026
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Os crimes de Bolsonaro não podem ser anistiados

Durante quatro anos tivemos vários crimes cometidos por um governo de direita reacionária, conservador e golpista com tendências fascistas. É preciso responsabilizar seus dirigentes e o chefe maior que é Jair Messias Bolsonaro pelos delitos perpetrados. A justiça brasileira e entidades essenciais à ordem democrática como exemplo a OAB precisam se pronunciar e atuar. Não podemos permitir a anistia como foi feita nos 21 anos dos governos militares.

Os liberais latino-americanos, têm essa capacidade de estar sempre transigindo com valores não republicanos em nome de um “olhar para o futuro”, ao ponto de um ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli declarar, em pleno 2022, após a tragédia do governo Bolsonaro: “Não podemos nos deixar levar pelo que aconteceu na Argentina, uma sociedade que ficou presa no passado, na vingança, no ódio e olhando para trás, para o retrovisor, sem conseguir se superar, o Brasil é muito mais forte do que isso”. 

Pois bem Senhor Ministro, afora o desrespeito a um dos países mais importantes para a diplomacia brasileira, um magistrado que confunde exigência de justiça com clamor de ódio, que vê na punição a torturadores e a perpetradores de golpes de Estado apenas vingança. Neste caso, fazer valer a expressão mais bem-acabada de um país, esse sim, que nunca deixou de olhar para o retrovisor. Um país submetido a um governo que, durante quatro anos, fez de torturadores heróis nacionais, fez de seu aparato policial uma máquina de extermínio de pobres. 

Inegável diante dos fatos, que o governo Bolsonaro  foi omisso, incompetetente e criminoso na pandemia. Alguns deveriam pensar melhor sobre a experiência social de “elaborar o passado” como condição para preservação do presente. Não existe superação onde acordos são extorquidos e silenciamentos são impostos. A prova é que, até segunda ordem, a Argentina nunca mais passou por nenhuma espécie de ameaça à ordem institucional. 

Nós, ao contrário, enfrentamos tais ataques quase todos os dias dos últimos quatro anos. Nada do que aconteceu conosco nos últimos anos teria ocorrido se houvéssemos instaurado uma efetiva justiça de transição, capaz de impedir que integrantes de governos autoritários se auto-anistiassem. Pois dessa forma acabou-se por permitir discursos e práticas de um país que ficou “passado”. Ocultar cadáveres, por exemplo, não foi algo que os militares fizeram apenas na ditadura. Eles fizeram isso agora, quando gerenciavam o combate à pandemia, escondendo números, negando informações, impondo a indiferença às mortes, impedindo o luto coletivo.

É importante que tudo isso seja lembrado neste momento, pois conhecemos a tendência brasileira ao esquecimento. Este foi um país feito por séculos de crimes sem imagens, de mortes sem lágrimas, de apagamento. Essa é sua tendência natural, seja qual for o governante e seu discurso. E assim seguimos em frente, construindo pelo bem ou não de uma nação que sempre clamou por justiça. Anistia não.

Por Roberto Rosa, Ativista Político

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