Terça-feira, Maio 12, 2026
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QUANTO CUSTA UMA PRATELEIRA COM 206 DEPUTADOS?

Essa é uma pergunta que a esquerda vai ter que responder após a ressaca da “vitória”. Por enquanto, o que se vê é a festa de uma democracia maquiada e avessa à realidade de que o PL, o PP e o Republicanos elegeram juntos 187 deputados federais, enquanto todos os partidos de centro esquerda juntos elegeram 120, sobrando 206 deputados na prateleira a serem comprados. Em um presidencialismo de coalizão, sem o mensalão, orçamento secreto ou coisa que o valha, ninguém se pergunta qual será a moeda de troca? 

Não! Não é a esquerda quem vai assumir em janeiro! Já estão intrinsecamente entranhadas na nova gestão Lula, organizações que produziram narrativas e comportamentos de espoliação da nossa democracia como a Fundação Lemman e Itaú, por exemplo. 

Não dá pra achar que daqui há quatro anos o Lula irá produzir um estadista como seu sucessor sem considerar que Geraldo Alckmin não está ali por acaso e que ainda não ficou claro qual será o tamanho do espaço do bolsonarismo no governo Lula. Falar de pobre é lindo e necessário, mas só se terá quebra de paradigmas de fato se houver um compromisso integral do governo com o povo, e isso só se vê na prática e não na teoria . E aí eu me pergunto: onde está o povo no radar do grupo que cerca o Lula, em seu batalhão de atores na transição de governo e na construção de um futuro pros próximos quatro anos senão e tão somente nos discursos populistas do presidente eleito?

A presença popular, verdadeiramente, nunca esteve presente nas grandes decisões de nenhum governo na história do Brasil desde a independência e não é agora que vai estar. Quando Lula declara que apoiará a reeleição de Arthur Lira para a presidência da Câmara mantendo o maestro do bolsonarismo mais arraigado na linha de sucessão da Presidência da República, não é em nome da sua velha e estreita amizade com Benedito Lira, o “Barão das Alagoas”, mas sim, por uma real intenção de não mudar o que está posto. Não há no radar do próximo governo a vontade política de construir mudanças estruturantes, mas sim, inebriar suas militâncias avançando apenas em pautas identitárias.

Muitas perguntas serão respondidas nos próximos quarenta dias e outras muitas não. Mas a realidade é que a conta cairá no colo do que ainda se chama, ou do que sobrou, da esquerda nesse país. Uma esquerda que tem como ícone um líder populista que não se vê e nem se declara de esquerda mas que deixa o bônus pra si e pros seus e o ônus para sua aguerrida, fiel e bajuladora militância daquilo que diz e daquilo que faz. 

Estamos à beira de um governo amplo que caminha para produzir anistias e favores ao bolsonarismo e seus agentes em nome da governabilidade. Até agora, o que se vê, é que se manterá um país engessado, incauto, incerto e refém do personalismo de seus líderes. Sai o bolsonarismo e entra o populismo. Enquanto isso, a esquerda continua tentando explicar o que significa a palavra DEMOCRACIA e até o final do governo, ainda ficará a pergunta: QUANTO CUSTA UMA PRATELEIRA COM 206 DEPUTADOS?

Por Mardônio Gomes

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