Terça-feira, Maio 12, 2026
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EDITORIAL | O QUE ESPERAR DO RESULTADO DAS URNAS

O Brasil foi às urnas neste domingo escolher o novo presidente que governará o país pelos próximos quatros anos em um momento de grandes dificuldades no plano nacional e no ambiente externo. A única certeza neste momento é a de que o país está muito dividido e as instituições estão em frangalhos, em um cenário sombrio onde estamos perdendo dia após dia a capacidade de conviver e dialogar com pensamentos e posições diferentes. Além disso, a natureza desta eleição e com caráter plebiscitário obrigou a população ir às urnas para escolher um presidente sem um programa de governo detalhado e com diretrizes que possam indicar os rumos da nação.

No pleito deste domingo, votamos avaliando legados de dois presidentes, Jair Messias Bolsonaro que está no poder e o ex-presidente Lula que já governou o país por oito anos e fez sua sucessora por dois mandatos, ambos com legados, defeitos e virtudes agora avaliados em um clima de ódio e polarização. Os debates pitorescos e ultrapassados não permitiram a população avaliar propostas e cobrar compromissos, assim como as ações que serão adotadas para enfrentamento dos problemas reais que assolam a população brasileira.

Para além da promessa de voltar a comer picanha e todo o ecossistema de desinformação operados pelas máquinas criminosas de mentiras, tivemos táticas de ambos os lados cujos fantasmas ainda estarão assombrando o imaginário popular. A campanha de Bolsonaro optou por assustar o eleitor dizendo que Lula fecharia as igrejas e que retornaria a roubalheira, além de outras discussões estéreis sobre “família tradicional” e “banheiro unissex. Lula, por seu turno, fez jogo duplo, apontou para o passado lembrando como eram bons os tempos em que foi presidente, como aqueles em que o pobre viajava de avião e comia picanha. Na guerra das campanhas eleitorais, Lula levou ao eleitorado, a imagem de Bolsonaro como um miliciano, violento e autoritário que não tem estatura para permanecer na presidência e nesta guerra política, o ex-presidente saiu vencedor com pouco mais de 2 milhões de votos de diferença, cristalizando um diagnóstico preciso de que a população brasileira está dividida e com os ânimos acirrados.

Lula herdará uma democracia fragilizada na qual metade da população não confia inteiramente no sistema eleitoral e três quartos não confiam inteiramente no Supremo Tribunal Federal, o que nos dá a certeza de que há uma crise de legitimidade das próprias instituições e dos atores políticos responsáveis por conduzir os rumos do país. Há questões de ordem prática, como recuperar a economia e resgatar a credibilidade internacional, atrair investimentos e promover o desenvolvimento econômico com mais geração de emprego e distribuição de renda.

A nova configuração da próxima legislatura no Congresso Nacional exigirá habilidades políticas do novo presidente para convergir e construir uma ampla coalizão em torno de respostas urgentes para desarmar a bomba fiscal como as medidas populistas do auxílio emergencial, incentivos de caráter eleitoreiro e a perda de arrecadação dos estados em razão da redução do ICMS sobre o preço dos combustíveis.

É preciso pacificar o país e distensionar as relações sociais e neste sentido, os eleitores de Bolsonaro devem ser ouvidos. O próximo governante terá de escutar as demandas de fundo do bolsonarismo e propor o diálogo para se construir as respostas. Outras respostas! O recrudescimento do bolsonarismo não é uma histeria coletiva, não é uma doença, mas sim a exploração política de um grito de socorro e revolta sequestrada por setores reacionários e extremistas que ainda habitam a sociedade brasileira.

Por Alexy Paris, editor do Portal Cabo Frio em Foco

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