Terça-feira, Maio 12, 2026
spot_imgspot_imgspot_imgspot_img
InícioColunistasUMA CASA CHAMADA BRASIL

UMA CASA CHAMADA BRASIL

Eu não sou 13 e nem 22. Eu sou um homem de 47 anos, profissional autônomo do turismo, com dívidas e dificuldades como qualquer brasileiro real. Eu não vivo no mundo das propagandas de campanha onde tudo é colorido, feliz e lindo e onde existe uma figura de herói pra chamar de meu. Eu não sou 13 e nem 22. Eu não sou apenas uma bandeirola ou uma camiseta amarela, eu sou parte de 95% de uma nação que sangra a perda de entes queridos por conta da maior pandemia da história da humanidade depois da Peste Negra e da Gripe Espanhola. Eu sou parte de uma nação que tenta todos os dias se recuperar da falência e que faz de tudo o que for honesto pra sobreviver. 

Eu não sou 13 e nem 22. Eu sou um brasileiro que já não vê a sua geladeira cheia faz tempo. E olha que quem me conhece sabe que eu trabalho todos os dias. Eu não sou um mero torcedor de arquibancada que escolhe um time e que se alegra mais com a derrota do adversário do que com a própria vitória. Eu sou um passageiro da mesma nave que você ocupa. 

Eu não sou 13 e nem 22. Eu sou um homem que deve satisfação do que faz à família e à sociedade a qual habito e por isso, penso como coletivo, vivo pelo coletivo e me identifico com tudo que for inclusivo lutando contra tudo que for excludente. 

Eu não sou 13 nem sou 22. Eu sou a mãe que caminha quilômetros com uma lata d’água na cabeça pra poder fazer um caldo de caridade pros filhos no sertão. Eu sou o pedreiro pendurado no andaime, eu sou a faxineira da repartição, eu sou o senhor de 75 anos que descobriu que precisa trabalhar mais 5 anos para se aposentar, eu sou o camelô que corre do cacete da postura, eu sou a criança que se prostitui nos semáforos pra comer, eu sou o capitão de areia, eu sou eu e sou você. 

Eu não sou 13 e nem 22. Eu sou um país que precisa mais do seu povo do que o contrário. Eu sou um povo guerreiro, batalhador e que merece ter de volta a alegria de sorrir pro seu próximo, abraçar o seu filho e resgatar algo que jaz faz tempo: a nossa BRASILIDADE. Eu não sou 13 nem 22. Eu sou um cara com um coração no peito, consciência na cuca e com meu título na mão. E o que eu quero? É simples! Eu só quero meu país de volta. E você? O que você quer? Pense nisso!

Por Mardônio Gomes

spot_imgspot_imgspot_imgspot_img