Terça-feira, Maio 12, 2026
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EU DISCUTO POLÍTICA! E VOCÊ, POR QUE NÃO?


Uma visão política do Brasil requer muito mais do que o seu entorno urbano e gráficos de estatísticas mostradas em noticiários de TV. Uma visão macro-política requer, acima de tudo, uma vivência em diferentes cenários em que possamos observar não apenas o que é ser pobre em uma cidade como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília ou Curitiba, mas como o que significa ser pobre em Conceição do Jacuípe, Ipecaetá, Feijó, Brasiléia, Araripina, Crato, Icó, dentre outros cantos longínquos desse nosso vasto país que fazemos questão de esconder do radar de nossa percepção periférica limitada. 

Hoje nós discutimos um Brasil que vemos da nossa janela sem sequer olhar para um Brasil que nunca foi visto e achamos que continuar excluindo esse oculto que nos é imposto como mácula, aliviará nossa culpa de sermos tão medíocres e limitados por termos sido educados a obedecer cegamente à máxima de nossa geração de que religião, futebol e política não se discutem. 

Nossa intolerância se confunde com nossa indignação por tratarmos a política como um inimigo e negá-la como a maior e mais importante arma de defesa contra a desigualdade e o isolacionismo. Negar a política fez com que nós não nos preparássemos para ela e hoje estamos tendo que lutar por ela justamente contra quem dedicou sua vida a conhecê-la, conduzi-la e manipulá-la. É como entrar em uma batalha portando um cabo de vassoura contra um soldado armado de fuzil. 

Não há como começar a discutir ou a sequer falar sobre política sem encarar o fato de que governar é uma impossibilidade humana filosófica, científica e psicologicamente comprovada. Não há como começar um debate munido da certeza de que se tem soluções definitivas para todos os problemas de todas as realidades, muito menos de um país multidiversificado como o Brasil. Nesse contexto, as redes sociais trouxeram um alento para essa massa de desesperados que tentam se sentirem incluídos e esclarecidos falando em pautas identitárias extremas, defendendo bandeiras de clubinhos, sejam eles religiosos, fascistas, moralistas, liberais, etc, etc, etc, mas todos com a mesma característica em comum: o despotismo esclarecido da convicção do que defendem mesmo sem sequer ter ideia do que seja, mas se o clubinho defende, assim também, ele o fará!

A negação da política nos traz uma realidade assustadora onde o povo prefere discutir quem é o mais evangélico, o mais bonito, o que tem a melhor formação , o que se projeta melhor ao estereótipo de pai, do que aqueles que propõem uma reflexão mais profunda para solucionar problemas complexos. Mesmo assistindo aos filmes de Harry Potter as pessoas não se dão conta de que nem a varinha mágica mais poderosa na mão do bruxo mais poderoso é capaz de solucionar todos os problemas mas que se pode usar de inteligência, perspicácia, coragem e de uma boa e fiel equipe para se derrotar um inimigo comum. Dito isso, governar é uma impossibilidade humana e é por isso que precisamos sim, discutir política, aproximar esses Brasis, tentar fazer com que estadistas se elejam e que estendam a mão do Estado até esses rincões onde o povo sequer tem água pra beber, quanto mais um caruru ou uma macambira pra fazer um caldo.

É preciso sim chamar o povo à discussão e ouví-lo com toda a generosidade possível e, humanamente, responder a esse povo que não existe um pai, uma figura que vai reidentificar as mazelas e fazer a chuva cair no sertão, a geada passar no sul, a fome e a miséria desaparecerem do sudeste, norte e centro-oeste. Mas é preciso também dizer que há políticos que estão tentando acertar, estão lutando contra inimigos reais, políticos que estão se lançando pro jogo pra realmente caminhar com uma mão na caneta e a outra segurando a mão do nosso tão sofrido povo brasileiro.

Que venha 2022! Que muitas verdades duras façam a cortina de fumaça se dissipar para que nosso povo possa ver que nosso Brasil é outro! Um Brasil cheio de potencialidades, riquezas, de um povo lindo e incansavelmente capaz, mas que há muito deixou de ser o país do futuro. Por isso, precisamos sim falar, discutir e lutar pela nossa política mais importante: nossa democracia! Pauta identitária precisa ser dignidade, trabalho e cidadania e aquele que se dispuser a caminhar com o povo terá o meu voto e espero que o de vocês também. Caso contrário, seguiremos nos dopando com religião, nos entretendo com futebol enquanto os que gostam de política decidem por todos nós à sua maneira. Isso não é ser livre! Isso é ser servil, capacho, escravo. 

Vamos conversar?  Sim! Eu discuto sobre política! E você, por que não?

Mardônio Gomes, empresário.

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