A identificação precoce de alterações na retina pode fazer toda a diferença para preservar a visão de um bebê. Em Araruama, a Prefeitura oferece o mapeamento de retina, também conhecido como oftalmoscopia binocular indireta, para o acompanhamento de crianças que apresentam condições de risco, como prematuridade e infecções congênitas.
Realizado por oftalmologista especializado, o exame exige a dilatação das pupilas e permite uma avaliação detalhada da retina. O atendimento é feito no Centro Integrado de Imagem (CIMI), onde os pacientes também podem contar com uma equipe multidisciplinar para o acompanhamento do desenvolvimento infantil.

Exame detecta precocemente a retinopatia da prematuridade
Entre os principais pacientes acompanhados estão os bebês prematuros, especialmente aqueles que nascem antes de 34 semanas de gestação ou com peso inferior a 1,2 quilo. Nesses casos, a retina ainda está em formação e passa a se desenvolver fora do útero, em condições diferentes das encontradas durante a gestação.
É justamente nesse período que pode surgir a retinopatia da prematuridade, uma alteração que, se não for identificada e tratada no momento adequado, pode causar perda irreversível da visão.
“Quando o bebê nasce prematuramente, o olho acaba se desenvolvendo fora da barriga da mãe. Essas últimas semanas de gestação são fundamentais para o desenvolvimento ocular. Se a gente não trata a retinopatia na época certa, essa criança pode perder a visão de uma maneira que não tem retorno. Quando tratamos no período adequado, conseguimos preservar a visão da maioria dos pacientes”, explica a oftalmologista Flávia Godinho.
Infecções congênitas também podem afetar a visão
O mapeamento de retina também é utilizado no acompanhamento de crianças que tiveram contato com infecções congênitas, como toxoplasmose, sífilis, citomegalovírus e herpes.
Nesses casos, o acompanhamento precisa ser mantido mesmo quando o primeiro exame apresenta resultado normal. Algumas alterações podem aparecer somente ao longo do desenvolvimento da criança.
Na toxoplasmose, por exemplo, o acompanhamento oftalmológico pode se estender até os 12 anos. Em outras infecções congênitas, o monitoramento pode ser necessário até os dois anos, conforme a avaliação médica.
“É imprescindível que os pais tenham a responsabilidade de trazer a criança. O bebê não vai chegar para o pai e para a mãe e dizer que está enxergando mal. Muitas vezes, o primeiro exame está normal, mas uma alteração pode aparecer depois. Se a gente não acompanha, perde o momento certo do tratamento”, alerta a oftalmologista.
Um olhar que ajuda a cuidar da criança como um todo
O trabalho do oftalmologista também pode contribuir para a avaliação de crianças que passaram por outras situações de risco, como asfixia durante o parto.
Segundo a médica, o exame dos olhos pode fornecer informações importantes para outros profissionais que acompanham o bebê, já que algumas alterações oculares podem estar relacionadas a condições neurológicas.
“O exame acaba sendo uma peça do quebra-cabeça que a gente vai checando no bebê por inteiro. O oftalmologista trabalha junto com a pediatria, neurologia, fisioterapia e outros profissionais. Se a gente estimula e acompanha essa criança desde o início, a possibilidade de um desenvolvimento adequado é muito maior”, explica.
Acompanhamento continua após a alta
A alta hospitalar não significa necessariamente o fim do acompanhamento. Alguns bebês deixam a maternidade ainda apresentando alterações na retina e precisam continuar sendo avaliados durante os primeiros meses de vida.
Por isso, o acompanhamento realizado no CIMI permite avaliar a evolução da retina e, quando necessário, encaminhar o bebê para atendimento de alta complexidade na rede estadual. A iniciativa reforça o compromisso da Prefeitura de Araruama com o cuidado contínuo e a saúde dos recém-nascidos.
O CIMI está localizado na R. Maj. Felix Moreira, s/n – Centro, funciona de 7h às 17h.




