Visita de campo ao circuito histórico do Rio de Janeiro integrou um processo de formação e pesquisa voltado à valorização da memória negra e à construção da programação do festival, que acontece em novembro
Servidores da Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa de Arraial do Cabo realizaram, nesta quarta-feira (14), uma visita de campo à Pequena África, na região portuária do Rio de Janeiro. A atividade teve como objetivo aprofundar pesquisas e ampliar conhecimentos que contribuirão para a construção da programação do Festival Ubuntu, que acontece em novembro, em Arraial do Cabo, com foco na valorização da cultura afro-brasileira, da ancestralidade e da memória negra.
O grupo participou de um circuito guiado pelo Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos (IPN), que percorre locais históricos fundamentais para compreender a presença e a contribuição da população negra na formação da sociedade brasileira. Entre os pontos visitados estão o Largo de São Francisco da Prainha, a Pedra do Sal, o Mirante do Morro da Conceição, o Jardim Suspenso do Valongo, a Casa da Tia Ciata e o Cais do Valongo, sítio arqueológico reconhecido como Patrimônio Mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
Localizada na região portuária do Rio de Janeiro, a Pequena África reúne espaços marcados pela história da escravidão, pela resistência da população negra e pela preservação de tradições culturais afro-brasileiras, como o samba. O território também abriga importantes referências da luta por reconhecimento e da contribuição negra para a identidade cultural do país.
O circuito termina no Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos, instituição dedicada à pesquisa, à educação e à preservação da memória da diáspora africana. O espaço está localizado no terreno do antigo Cemitério dos Pretos Novos, onde eram sepultados africanos escravizados que morriam após chegar ao Rio de Janeiro. Redescoberto em 1996, durante obras em uma residência, o sítio revelou vestígios arqueológicos que ajudam a preservar a memória de um dos períodos mais dolorosos da história brasileira.
A visita integrou um processo de formação e letramento racial, articulando pesquisa, educação e políticas culturais. A experiência contribuirá para a construção de ações comprometidas com o enfrentamento ao racismo, o protagonismo negro e o reconhecimento dos saberes ancestrais, princípios que dialogam diretamente com a proposta do Festival Ubuntu.
Além dos servidores da Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa, participaram da atividade representantes da Secretaria Municipal de Educação, por meio da Coordenação de Projetos e Ações Étnico-Raciais, e integrantes da sociedade civil.




