A Justiça do Estado do Rio de Janeiro concedeu medidas protetivas de urgência à estudante Maria Clara Almeida Melo de Sá, de 21 anos, neta do candidato a deputado estadual Paulo Melo, após ela denunciar o avô e o próprio pai, Paulo César Júnior, por supostos abusos sexuais ocorridos desde a infância. A decisão, proferida pelo Juizado de Violência Doméstica e Familiar de Saquarema, determina que os investigados, além da mãe da jovem, Taiti Coelho, mantenham distância mínima de 250 metros da vítima e não estabeleçam qualquer tipo de contato, seja presencialmente, por telefone, redes sociais, aplicativos de mensagens ou por intermédio de terceiros.
Segundo os autos, Maria Clara relatou que os abusos atribuídos ao pai começaram quando ela tinha cinco anos de idade. Ela afirmou que permanecia trancada em um quarto durante os fins de semana em que estava sob seus cuidados e sofria violência sexual.
A decisão também registra que, por volta dos sete anos, a jovem passou a sofrer abusos atribuídos ao avô durante visitas a uma fazenda da família em Rio Bonito. Conforme o relato reproduzido no processo, após um período de afastamento, ela voltou a sofrer violência em 2019, durante uma viagem a Capitólio (MG), onde teria sido forçada à conjunção carnal sem consentimento.
Ainda de acordo com a decisão judicial, em 2022, quando passou a morar com o avô em Saquarema para cursar a faculdade, os abusos teriam sido retomados. Maria Clara afirmou que Paulo Melo invadia seu quarto durante a madrugada, praticava atos libidinosos e fazia ameaças contra familiares para impedir que ela denunciasse os fatos.
A denúncia foi formalizada junto à Ouvidoria da Mulher do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro em novembro de 2025. A jovem informou que decidiu procurar ajuda após anos de acompanhamento psicológico.
Durante a análise do caso, a Justiça determinou a realização de um estudo psicológico. O laudo pericial não chegou a uma conclusão definitiva sobre a veracidade dos relatos, mas destacou que “não seria prudente descartar os fatos narrados”. Já o Centro de Referência de Atendimento à Mulher de Saquarema apontou que Maria Clara apresenta crises de pânico, ansiedade severa, privação de sono e hipervigilância crônica, sintomas compatíveis com traumas psicológicos.
A Defensoria Pública também informou ao magistrado que a jovem relatou estar sendo monitorada por um veículo nas proximidades do local onde está acolhida e que pessoas desconhecidas tentaram convencê-la a sair da residência.
Com base no conjunto de provas e relatórios apresentados, o juiz reformou uma decisão anterior que havia negado o pedido e concedeu as medidas protetivas por prazo indeterminado. Na decisão, ressaltou que a medida possui caráter cautelar e não representa reconhecimento de culpa dos investigados, servindo para resguardar a integridade física e emocional da vítima enquanto as investigações prosseguem. O processo tramita em segredo de justiça.
Procurado, Paulo Melo informou que não pode comentar o caso em razão do segredo de justiça. Em manifestações anteriores, o candidato negou as acusações e afirmou que as denúncias possuem motivação política.
Maria Clara declarou que a decisão representa um importante avanço na sua busca por proteção e Justiça.




