O ex-prefeito de Campos dos Goytacazes, Wladimir Garotinho, deixou a Prefeitura para disputar outro cargo eletivo, mas sua saída foi marcada por uma grave crise no Fundo de Previdência dos Servidores Municipais (Previcampos). Dados do Ministério da Previdência Social mostram que o município perdeu a Certidão de Regularidade Previdenciária (CRP) em 1º de dezembro de 2025, em razão de uma série de irregularidades identificadas no Regime Próprio de Previdência Social (RPPS).
A perda da certidão representa um duro golpe para a credibilidade da gestão previdenciária do município e expõe falhas na condução de um patrimônio que pertence aos servidores públicos e que deve garantir o pagamento de aposentadorias e pensões futuras.
Levantamento realizado pelo jornalista Alexy Paris aponta que, ao deixar a Prefeitura nas mãos do então vice-prefeito Frederico Paes, Wladimir Garotinho deixou também um sistema previdenciário marcado por pendências e irregularidades perante o Ministério da Previdência.
Entre os problemas apontados pelo órgão federal estão:
- Aplicações Financeiras do RPPS – Adequação do Demonstrativo das Aplicações e Investimentos dos Recursos (DAIR) e da Política de Investimentos;
- Requisitos para dirigentes, membros dos conselhos deliberativo e fiscal e do comitê de investimentos do RPPS;
- Utilização dos recursos previdenciários, objeto de Processo Administrativo Previdenciário (PAP);
- Demonstrativo de Informações Previdenciárias e Repasses (DIPR) – Consistência e caráter contributivo;
- Demonstrativo de Informações Previdenciárias e Repasses (DIPR) – Encaminhamento obrigatório;
- Demonstrativo das Aplicações e Investimentos dos Recursos (DAIR) – Consistência das informações prestadas.
Além disso, o Ministério da Previdência registrava o seguinte item pendente de conclusão:
- Instituição do Regime de Previdência Complementar – Aprovação e operacionalização do convênio de adesão (em análise).
Embora outros critérios permanecessem classificados como regulares, as irregularidades existentes foram suficientes para provocar a perda da Certidão de Regularidade Previdenciária, documento indispensável para comprovar a conformidade do regime previdenciário municipal com a legislação federal.
A situação lança questionamentos sobre a condução dos recursos previdenciários durante o governo Wladimir Garotinho. Afinal, trata-se do patrimônio acumulado ao longo de décadas por milhares de servidores municipais que dependem da solidez do sistema para receber suas aposentadorias e pensões.

Mas o problema não se resume à perda da certidão.
O dado mais alarmante aparece quando se analisa a evolução do passivo atuarial do Previcampos, indicador que mede o valor necessário para garantir todas as obrigações futuras do sistema previdenciário.
Quando Wladimir Garotinho assumiu a Prefeitura, em 31 de dezembro de 2020, o passivo atuarial era de R$ 1.305.326.166,40.
Ao deixar o governo para disputar outro cargo, o déficit atuarial havia saltado para R$ 6.276.632.768,96.
O aumento foi de aproximadamente R$ 4,97 bilhões durante sua passagem pela Prefeitura.
Em outras palavras, o rombo projetado para garantir a cobertura previdenciária dos segurados praticamente quintuplicou. O número representa uma herança pesada para os cofres públicos e um motivo de preocupação para servidores ativos, aposentados e pensionistas.
A combinação entre a perda da Certidão de Regularidade Previdenciária e a explosão do passivo atuarial compõe um cenário que pode ser considerado um dos mais preocupantes legados deixados por Wladimir Garotinho ao abandonar o comando da Prefeitura de Campos dos Goytacazes. Agora, caberá à administração de Frederico Paes enfrentar o desafio de recuperar a regularidade do Previcampos e buscar soluções para um déficit que alcançou a marca de R$ 6,2 bilhões.





