Graves denúncias lançam novas suspeitas sobre o Programa Conexão Universitária de Saquarema, um dos projetos mais caros da história recente do município e que hoje é tratado por críticos como uma verdadeira caixa preta da educação. Criado na gestão da ex prefeita Manoela Peres e mantido pela atual prefeita Lucimar Vidal, o programa consome cerca de 400 milhões de reais por ano em recursos públicos e agora está no centro de questionamentos que podem explodir como um dos maiores escândalos administrativos do Estado do Rio de Janeiro.

As acusações ganharam força após a apresentação de uma representação formal ao Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro pelo advogado Diego Campos Gonzalez. O documento que o Jornalista Alexy Paris teve acesso com exclusividade, aponta indícios de graves irregularidades, como ausência de critérios claros na escolha das universidades participantes, falhas na comprovação de regularidade fiscal, contratos frágeis ou inexistentes e possível direcionamento na execução do programa. O volume de dinheiro envolvido torna o caso ainda mais sensível. Apenas em 2025, os gastos previstos chegaram a exatos R$ 393.440.773,63 reais, segundo a Lei Orçamentaria aprovada pela Câmara Municipal.

Embora o TCE tenha negado a concessão de tutela provisória em um primeiro momento, a decisão não encerra o caso. Pelo contrário. O Tribunal determinou a oitiva da prefeita Lucimar Vidal e do secretário municipal de Educação, além do aprofundamento da análise técnica. Na prática, o órgão de controle reconhece a gravidade das denúncias e mantém o programa sob fiscalização rigorosa.
A gestão da prefeita Lucimar Vidal é alvo de críticas contundentes por manter intacta uma estrutura que já nasceu sob questionamentos. Para opositores, a atual administração optou por dar continuidade a um modelo caro, opaco e de difícil fiscalização, mesmo diante de alertas sobre a necessidade de revisão, transparência e controle. A permanência do programa sem correções profundas levanta suspeitas sobre a real governança dos recursos da educação.

No centro da tempestade política também está a ex prefeita Manoela Peres, que lançou o Conexão Universitária e agora se encontra em pré-campanha para deputada federal. O projeto que foi apresentado como marca de sua gestão pode se transformar em um passivo político devastador. Aliados e adversários avaliam que o avanço das investigações pode representar um encontro implacável entre o projeto eleitoral da ex-prefeita e a Polícia Federal, já que envolvem recursos federais.

Nos bastidores, Saquarema já é chamada de Dubai da Região dos Lagos. A cidade se transformou em polo de poder e dinheiro, atraindo políticos e cabos eleitorais que buscam apoio e a benção do ex prefeito Antonio Peres, apontado como o verdadeiro manda chuva da política local. e operador da campanha de Manoela. Em meio a esse cenário de abundância, cresce uma pergunta que ecoa cada vez mais alto nas ruas e nos corredores do poder para onde está indo o dinheiro da educação de Saquarema. Há uma subpasta na Educação que aponta um caminho perigoso para os cofres públicos do municípío, segundo um integrante da controladoria, além de “despesas” de outras pastas que estão sendo pagas com recursos da fonte: educação.

O questionamento se torna ainda mais incômodo quando se lembra que uma campanha competitiva para deputado federal pode custar cerca de 20 milhões de reais. Perguntar não ofende. Em um município que destina aproximadamente 400 milhões de reais por ano a um único programa educacional, a cobrança por explicações é não apenas legítima, mas necessária.
A reportagem teve acesso a documentos da Controladoria Geral do Município que ainda não foram tornados públicos e que podem reforçar as denúncias já apresentadas ao TCE. Caso o conteúdo venha a ser confirmado, o caso do Conexão Universitária pode ultrapassar os limites de Saquarema e se consolidar como um dos maiores escândalos administrativos do Estado do Rio de Janeiro.
Enquanto isso, o programa segue em funcionamento mesmo sob pesadas suspeitas. O que deveria ser um instrumento de transformação social pode acabar simbolizando desperdício, falta de transparência e crise política. A bomba está armada. Agora, cabe aos órgãos de controle e à Justiça decidir até onde vai esse rastro de denúncias. Um delegado da Policia Federal que conhece a teia dos negócios no municpio, ouvido de forma reservada, garantiu ao Portal que em Saquarema, basta aplicar o trádicional método: “Follow the Money”
A Prefeitura de Saquarema não respondeu aos questionamentos formulados pela redação do portal Cabo Frio em Foco.




