José “Pepe” Mujica, ex-presidente do Uruguai, faleceu nesta terça-feira (13) aos 89 anos. A notícia foi confirmada pelo atual presidente uruguaio, Yamandú Orsi.
Em abril de 2024, Mujica revelou publicamente que havia sido diagnosticado com um câncer no esôfago durante um check-up médico. Além disso, ele já convivia com uma doença autoimune que afetava seus rins. Em janeiro de 2025, após o câncer se espalhar para o fígado, Mujica optou por não continuar com o tratamento, afirmando: “Estou morrendo” .
Nascido em Montevidéu em 1935, Mujica teve uma trajetória marcada pela militância política. Foi guerrilheiro do grupo Tupamaros nos anos 1960, sendo preso durante a ditadura militar e permanecendo encarcerado por mais de uma década. Com a redemocratização, ingressou na política institucional, fundando o Movimento de Participação Popular e sendo eleito deputado, senador e ministro da Agricultura. Em 2010, assumiu a presidência do Uruguai, cargo que ocupou até 2015.
Durante seu mandato, Mujica implementou políticas progressistas que colocaram o Uruguai em destaque internacional, como a legalização do aborto, do casamento entre pessoas do mesmo sexo e da maconha. Conhecido por seu estilo de vida simples, recusou-se a viver na residência oficial, preferindo sua chácara nos arredores de Montevidéu, e doava grande parte de seu salário para instituições de caridade.
Após deixar a presidência, continuou ativo na política até 2020, quando se retirou da vida pública devido a problemas de saúde. Mesmo assim, manteve-se como uma figura influente e respeitada na América Latina, sendo admirado por sua coerência entre discurso e prática.
Pepe Mujica deixa um legado de luta por justiça social, humildade e integridade, sendo lembrado como um dos líderes mais carismáticos e autênticos da política latino-americana.



