A gestão do governador Cláudio Castro (PL) está no centro de uma polêmica que pode representar uma ameaça aos cofres públicos do Estado. O governo reativou um banco privado, considerado extinto há mais de seis décadas, que reivindica um precatório de mais de R$ 1 bilhão a ser pago pelo próprio Estado do Rio de Janeiro.
A instituição, agora denominada BCM Ativos Imobiliários, também disputa a posse de terrenos na Zona Oeste do Rio, área de forte especulação imobiliária e atuação de milícias. Para dirigir seu setor jurídico, a empresa escolheu Mariana Felippe, atual diretora de regularização fundiária no Iterj, órgão do governo estadual. Mariana é casada com o deputado estadual Jorge Felippe Neto (Avante), aliado de Castro.
O processo de reativação do banco envolveu a Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro (Jucerja), que contrariou um parecer da Procuradoria do Estado. Documentos do processo mencionam “grande quantidade de negociações e tratativas políticas” ligadas à empresa.
A polêmica levou o Ministério Público a acionar a Polícia Civil para investigar o caso. A reativação do banco foi anulada por um órgão federal, mas a decisão está suspensa para análise de recurso.
A atuação da PGE (Procuradoria-Geral do Estado) apontou fraude nos registros de imóveis ligados ao banco e conseguiu liminar para suspender o pagamento do precatório. Os herdeiros que também disputam os bens negam qualquer irregularidade.
A ligação entre a cúpula do governo e a empresa reforça suspeitas de favorecimento e possível desvio de recursos públicos. O governo Castro nega envolvimento irregular e afirma que não há favorecimento à empresa.
O caso segue em investigação, e a possível negociação bilionária pode trazer graves consequências para os cofres do Estado do Rio de Janeiro.