Terça-feira, Maio 12, 2026
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Marcha pra Jesus vira palanque para políticos acusados de corrupção no Estado do Rio de Janeiro

A promiscuidade entre política e religião ganhou destaque na “Marcha para Jesus” realizada neste sábado (25), no Centro do Rio de Janeiro. O evento, que deveria ser um momento de fé e reflexão, se transformou em palco para políticos acusados de corrupção em um comício extemporâneo, evidenciando o avanço do poder paralelo e negócios suspeitos com dinheiro público que corroem as  instituições do Estado.

O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), filmado e acusado de receber propinas, e o pré-candidato à Prefeitura do Rio, Alexandre Ramagem (PL), foram as principais figuras políticas presentes. Eles ocuparam o trio elétrico principal ao lado do pastor e mega empresário Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo e um dos organizadores da marcha. 

Antes de entrar na política, Castro, que já foi dublê de cantor gospel, não perdeu a oportunidade de cantar durante o evento em um espetáculo grotesco, mostrando que eventos desta natureza também podem ser verdadeiros bailes de máscaras.

A presença de outros políticos também marcaram o uso da religião como instrumento de alienação e aliciamento de cabos eleitorais.. O vereador Alexandre Isquierdo (União), o secretário de Transportes Washington Reis (MDB), seu irmão, o deputado estadual Rosenverg Reis (MDB), e o deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL) estavam todos ao lado de Malafaia, demonstrando uma aliança estreita entre religião e política.

O prefeito Eduardo Paes (PSD), que liberou o patrocínio de R$ 1,5 milhão e a Praça da Apoteose para o encerramento do evento, não compareceu, mas fez questão de destacar seu apoio em uma postagem nas redes sociais. “Muito bom ver esse Rio de fé lotando o Sambódromo na Marcha para Jesus hoje, encontro que a Prefeitura do Rio, em meus mandatos, tem a honra de patrocinar”, escreveu, junto a uma foto da Praça da Apoteose lotada.

Esse espetáculo dantesco levanta questionamentos sobre o uso da religião como uma ferramenta de manipulação política. Corruptos, sob a máscara da redenção, buscam alienar as massas e consolidar seu poder, desviando a atenção de suas ações ilícitas e usando a fé como escudo para seus crimes. A mistura de política e religião ameaça a integridade das instituições e a laicidade do Estado, um princípio fundamental para garantir a liberdade religiosa e a justiça social, além de corromper o verdadeiro evangelho que não guarda nenhuma relação com os mercadores da fé.

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