Foi em uma funerária na região de São Miguel Paulista, na Zona Leste de São Paulo, que amigos e familiares deram o último adeus à Giovanna Bezerra, que com apenas 17 anos foi a nona vítima de ataques a escolas no Brasil somente em 2023.
O velório teve início às 20h de segunda-feira e seguiu pela madrugada e manhã desta terça-feira. Na manhã de ontem, um aluno de 16 anos entrou armado na Escola Estadual Sapopemba e disparou tiros contra os colegas. Giovanna foi uma das atingidas. Outras duas adolescentes ficaram feridas, enquanto um terceiro aluno se feriu enquanto tentava fugir. Os três estão fora de perigo.
Durante o velório na manhã desta terça-feira, o pai de Giovanna se debruçou chorando sobre o caixão, onde o rosto da jovem era coberto por um véu branco, enquanto a mãe se ajoelhava, também chorando, ao lado do local onde estava o caixão.
A menina será enterrada às 13h30, no Cemitério Nossa Senhora do Carmo – Curuçá, em Santo André.
Cerimônia restrita
A cerimônia é restrita aos familiares e amigos mais próximos. A funerária manteve os portões fechados e seguranças questionavam as pessoas que chegavam sobre seu nível de relação com a vítima.
Alguns vizinhos e conhecidos chegaram a ser barrados até que funcionários da funerária confirmassem a identidade com o pai e a mãe da menina. Em alguns casos, colegas mais distantes, como um jovem que conhecia a vítima por intermédio da noiva e um colega do bairro, não puderam entrar.
Professores e os pais de outra vítima do ataque, que ficou ferida, também compareceram ao local.
Na sala do velório, coroas de flores com homenagens da escola que estudava, de uma escola de ensino infantil do Sapopemba e de comércios do bairro onde morava. Entre os presentes, o tom era de absoluta discrição: com o semblante triste, amigos de escola da adolescente se recusaram a falar com a reportagem.
Extrovertida e animada
Giovanna estava no terceiro ano do ensino médio, era corintiana, estudiosa, gostava de cachorros e de jogar vôlei. Era muito conhecida na escola e no Jardim Sapopemba, bairro onde morava.
Cauã Lucas, 18 anos, morava próximo a casa de Giovanna e os dois viraram amigos.
— Ela era bem animada, carinhosa, extrovertida, adorava jogar vôlei, dançar bastante – contou.
Neste domingo, a jovem havia ido ao Parque da Água Branca, na Zona Oeste da capital, passear com amigos.
— Ela era uma menina maravilhosa, cheia de luz, muito alegre. Tinha muitas pessoas que amavam ela — contou a amiga Eduarda Peixoto, que estudava com Giovanna.



