Depois de parcialmente restaurada a ordem institucional em Brasília, a vida das classes privilegiadas começa a voltar ao seu eterno normal. Subsídios recordes para o agro, garantia de 100% do governo que os bancos serão indenizados pelos descontos dados aos devedores pelo programa Desenrola Brasil, garantia da não taxação de super ricos, igrejas, e de renúncia fiscal a especuladores do mercado financeiro, taxa de juros do crédito direto ao consumidor mais alta da série histórica e vida que segue. Lula segue sendo o presidente que, segundo ele mesmo, mais dá dinheiro aos banqueiros e à elite desse país.
Aqui embaixo as coisas andam sem muitas novidades. Pelo menos uma vez por semana, se pulveriza uma pauta identitária para ocupar as mentes aceleradas das redes sociais enquanto se trabalha nos porões de Brasília, por exemplo, a imposição de Guido Mantega por Lula como CEO da Vale, mais um lote multi-milionário de subsídios à Codevasf e se estuda um novo valor de emendas à ser distribuído às prostitutas do Congresso por seu cafetão Arthur Lira.
Enquanto isso, hoje a bolsa sobe, o dólar desce, amanhã o dólar sobe e a bolsa desce, e o salário? O salário é apenas um detalhe. Afinal, em um país liberal na economia, o povo não precisa se preocupar com salário. O povo empreendedor não é mesmo? Pois é. Enquanto a roda da moenda nos espreme e o presidente agradece aos africanos por terem sido escravizados por 350 anos para construírem nosso “país”, a gente vai agradecendo ao deus Lula por ter salvado nossa democracia. Será?
Por Mardonio Gomes



