Cabo Frio vive um triste e melancólico capítulo de sua história. Triste por testemunharmos um prefeito que nutria respeito e adimiração até de seus adversários confessar que usou a figura de Magdala Furtado apenas como estratégia eleitoral e que “enquanto ‘Deus’ permitir, ele irá tocando o barco’. A famigeranda coalisão de forças está cobrando um preço alto ao prefeito mas, principalmente, para o município que não apenas parou, mas retrocedeu no tempo. É fato que o maior adversário do governo cabofriense é a intransigência do prefeito.
O que chama a atenção é que ele não define que “Deus” ou ‘deuses’ são esses que o sustentam no poder. Sabe-se que a tríade Jânio, Mirinho e Beranger chegaram a tal nível que dividiram o executivo em lotes, cada um com seu quinhão. Sabe-se também que o foco desse tríade é se empenhar ao máximo para tentar eleger Mirinho de novo em Búzios. Não pouparão esforços já que, em Cabo Frio, o apoio político dessa turma mais atrapalha que ajuda.
Enquanto isso, o prefeito insiste em fechar os olhos e ouvidos à criticas que o guie de encontro a tais interesses – dito por ele mesmo – fechando os ouvidos para tudo que ele julgue “atrapalhá-lo” agindo como cúmplice de uma tríade que ficou muitos anos longe do poder e que agora que voltou, não quer largar mais. Um cúmplice coadjuvante por sua debilidade física e psicológica mas um cúmplice.
Um homem que se orgulha por sua formação acadêmica, por se auto denominar um gestor público experimentado e idôneo jamais poderia assumir-se obtuso e dizer que não escuta aquilo que o incomoda. Um político que não escuta seu povo é um ditador, um autocrata. Que José Bonifácio está ultrapassado já se sabe, mas jamais, nem o pior dos adversários, imaginaria que ele optasse encerrar sua biografia de forma tão deprimente. Mas o bom da democracia é que mandatos passam e a cidade fica.



