Recentemente, a primeira-ministra da Finlândia, Sanna Marin, foi filmada cantando e dançando. Algumas professoras mostraram aos alunos como repercutiu no TikTok e no Twitter. Nessas redes sociais, havia insinuação de que ela estava drogada. As professoras, que já conheciam o resultado do exame negativo, aproveitaram para mostrar como funciona a desinformação.
A Unesco também lançou seu curso na mesma direção. Chama-se em inglês Media and Information Literacy. Foi traduzido para o português e é reproduzido pela Universidade de Campinas. Aliás, as universidades de São Paulo trabalham esse tema há algum tempo. Vejo nele algumas coisas que deveriam ser divulgadas mais amplamente, como a tática contra teorias conspiratórias. Há um jeito de lidar com o assunto, sem negativas veementes para não romper o diálogo. Uma das vantagens do curso da Unesco é que, com base no artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, prepara as pessoas não apenas para interpretar as mídias, mas para participar delas e se expressar com eficácia.
O casaco branco do Papa apenas estimulou que eu me interessasse mais e começasse a estudar o assunto. É urgente combinar as duas estratégias: controle legal e educação para a mídia e informação digital. A Finlândia foi considerada o país mais resistente a fake news entre 38 pesquisados na Europa. Acho que é o caminho mais eficaz para, de certa forma, proteger não só as crianças, mas também evitar que as novas tecnologias subvertam a democracia.
A atividade para mim é nova. Vou me dedicar a ela com calma, para não repetir as descobertas da juventude que me deixaram um pouco chato quando me apaixonava por um tema. Cientistas pediram às plataformas que atenuem sua corrida desenfreada para oferecer os serviços de IA. Essa pausa, caso seja conseguida, nos daria mais tempo também.
Por Roberto Rosa.



