Se observamos o candidato derrotado Bolsonaro, vemos que há um silêncio na superfície, mas movimentos na penumbra. Interessa o chefe da horda bolsonarista manter a inquietação de seus eleitores ao mesmo tempo que alimenta teorias da conspiração Seu vice, Braga Netto, andou pronunciando frases enigmáticas, dando a entender aos manifestantes que deveriam persistir, pois algo importante estava por acontecer.
Valdemar Costa Neto, Presidente do PL, conseguiu uma auditoria para questionar as urnas eletrônicas e tentar com isso botar lenha na fogueira. E um ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Augusto Nardes, aparece num áudio vazado dizendo que há grande inquietação nos quartéis, sugerindo também que um golpe militar está a caminho.
A análise do natural fluxo e refluxo do movimento de massas indica a queda progressiva das manifestações de rua. Mas o desespero e a vontade de perturbar estão presentes e devem ser contados como um fator duradouro nos próximos quatro anos.
Num quadro tão difícil, o ideal seria que o novo governo levasse em conta suas palavras e, se possível, evitasse improvisos, buscando a conciliação, pois os desafios são imensos, a começar pela fome de milhões de brasileiros. Bolsonaro encantou seus radicais, dizendo sempre coisas que os animavam, independentemente de avaliação cuidadosa da conjuntura. Resultado: é o primeiro presidente que não se reelegeu, na história da redemocratização.
Na internet, há uma piada recorrente com diferentes situações e um só texto: recorra aos profissionais. A política brasileira tem alguns profissionais, no bom sentido, e a missão que se abre depende muito deles.
E parodiando o poeta Gilberto Gil: “Andar com fé eu vou a fé não costuma falhar”.
Roberto Rosa, Ativista Político



