Terça-feira, Maio 12, 2026
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Com a eleição renasce a esperança

Hoje, é dia de a gente saudar em primeiro lugar a determinação e a força do povo brasileiro. Mesmo diante de todas as dificuldades possíveis e imagináveis colocadas por um governo anti-democrático e avesso a tudo o que é republicano, os eleitores foram às urnas e manifestaram majoritariamente sua confiança de que a democracia deve ser fortalecida, ampliada, e que é sob seu regime que queremos construir nossos caminhos e nossas vidas.

Como gato escaldado tem medo de água fria, sabemos que persiste a ameaça daqueles que têm o ódio como fundamento de sua política torpe e querem que ele predomine nos relacionamentos entre as pessoas na nossa sociedade. Também sabemos que para eles não existe estatuto legal ou ético que estabeleça limites ao seu desejo de se manter no poder.

Como objetivo e método político, nosso dever é criar um ambiente de confiança, onde a crítica seja livre e construtiva, e a autocrítica seja sincera e reparadora. Um ambiente democrático que, daqui para frente, nos leve a propósitos comuns, a convergências políticas e programáticas que gerem projetos compartilhados. Essa é a única forma de assegurar a manutenção e a ampliação da democracia brasileira como um ecossistema político diversificado, vacinado contra as velhas tentações do poder político exclusivo e excludente. 

O abandono de vaidades e possíveis divergências político-ideológicas em prol do interesse público é prova de altivez para a qual ninguém tem de abrir mão dos princípios que propugnou ao longo de sua campanha e trajetória política. Ao contrário, significa reafirmar o interesse público como princípio e fim, recusar a lógica de chegar ao poder para dele usufruir e deixá-lo fluir do povo, que é o garantidor da democracia.

A maioria de brasileiros e brasileiras reconhece o valor e a importância da democracia, não apenas no funcionamento das instituições do Estado, mas em todos os momentos da convivência em sociedade. E esperam que reafirmemos, neste segundo turno, real compromisso com o estabelecimento das condições para fazer o resgate irreversível de dívidas históricas de exclusão e preconceito com mulheres, pretos, indígenas e pessoas LGBTQIA+. Além disso, demonstraram real interesse em que o país deixe de ser identificado como um pária internacional no que se refere à proteção e ao uso adequado de seu patrimônio ambiental, para voltar a ter protagonismo no combate do planeta às mudanças climáticas.

Os desafios nos próximos anos serão imensos, dadas as atuais condições degradantes que o país enfrenta em todos as suas áreas, especialmente no que se refere à vida cotidiana de trabalhadores e trabalhadoras, jovens e idosos, famílias e comunidades, assim como daqueles e daquelas que que batalham pelo sucesso em seus negócios e profissões. Por essa razão, as forças democráticas serão exigidas a se empenhar como nunca para que o país se reconcilie e possa voltar a prosperar, mesmo num cenário no qual algumas dores atuais persistirão por um tempo, e novas podem surgir.

No entanto, o cuidado com os mais vulneráveis é obrigação a ser cumprida desde a primeira hora do ciclo de reconstrução que, se exercido com sucesso, permitirá a transição para um Brasil socialmente justo, politicamente democrático, culturalmente diverso, economicamente próspero e ambientalmen sustentável.

Por Roberto Rosa, Ativista Político

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