O prefeito de Itaboraí Marcelo Delaroli volta a ser alvo de graves denúncias por conta de esquemas em licitações no município. Agora, o caso envolve a contratação de serviços de coleta, transporte, armazenamento e incineração de resíduos de exumações, alvo de representação no Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro que aponta irregularidades graves em um pregão eletrônico de quase R$ 9 milhões. Diante da gravidade dos fatos, o prefeito já foi intimado pela Corte de Contas a prestar esclarecimentos em prazo curto.

A representação que o jornalista Alexy Paris teve acesso com exlusividadade, é contundente ao apontar que o edital apresenta vícios estruturais que comprometem a legalidade do processo e levantam suspeitas de direcionamento. Entre os principais problemas está a exigência de licenças ambientais emitidas exclusivamente no Estado do Rio de Janeiro, mesmo com a previsão de transporte interestadual dos resíduos, uma contradição que indica possível restrição ilegal à concorrência.

Outro ponto crítico é a falta de clareza nas regras de subcontratação. O edital, o termo de referência e a minuta contratual apresentam informações conflitantes, criando um ambiente de insegurança jurídica que afasta concorrentes e favorece quem já domina previamente o modelo adotado pela administração.

A denúncia também expõe exigências técnicas consideradas abusivas e sem justificativa plausível, como licenças específicas para lavagem de veículos, o que reforça a suspeita de criação de barreiras artificiais para limitar a participação no certame.
Há ainda questionamentos sobre a publicidade do processo e o prazo extremamente reduzido para análise do edital. Empresas do setor relataram dificuldade de acesso às informações e tempo insuficiente para preparar propostas, o que compromete a competitividade e a transparência da licitação.
A gravidade aumenta com o fato de que outras empresas, como Ecofire, Ecovital e Servioeste, também apresentaram impugnações com críticas semelhantes. A convergência dos apontamentos evidencia um edital problemático e potencialmente direcionado.
Diante desse cenário, a representação solicitou ao Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro a suspensão imediata do pregão ou, caso já tenha ocorrido, o bloqueio de qualquer avanço, como adjudicação, homologação ou assinatura de contrato. No mérito, pede a correção integral do edital ou até a anulação do processo.

O episódio aprofunda a crise de credibilidade da gestão de Marcelo Delaroli, que já acumula denúncias envolvendo contratos públicos e suspeitas recorrentes na condução de licitações. A intimação do prefeito pelo TCE eleva o nível de gravidade do caso e coloca a administração municipal sob pressão direta dos órgãos de controle.

A situação se torna ainda mais preocupante diante do orçamento bilionário de Itaboraí. Para 2026, o município tem previsão de arrecadação de R$ 1.453.700.000,00, valor que exige responsabilidade máxima na gestão, mas que, diante das denúncias, levanta sérias dúvidas sobre a aplicação dos recursos públicos.
Agora, caberá ao Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro avaliar as respostas do prefeito e decidir se o caso resultará na suspensão do certame, na anulação dos atos ou no aprofundamento das investigações. Enquanto isso, a gestão municipal segue cercada por denúncias graves e sob crescente pressão institucional.
Em nota, a Prefeitura de Itaboraí informou que tomou ciência da representação em trâmite no Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), referente ao Processo nº 216.849-2/26, relacionado ao Pregão Eletrônico SRP nº 90019/2026. O município esclareceu que o prazo para resposta aos questionamentos se encerra nesta segunda feira (20/04), às 23h59, e que a manifestação oficial está em fase final de elaboração pela equipe técnica. A administração ressaltou que os procedimentos licitatórios seguem os princípios da legalidade, transparência e competitividade, e que eventuais apontamentos são analisados com rigor, sendo os esclarecimentos encaminhados ao tribunal dentro do prazo estabelecido.




