A sucessão do governador Cláudio Castro entrou em fase decisiva nos bastidores do poder estadual nesta semana, no Rio de Janeiro, com a definição de que o presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, Guilherme Delaroli, será o nome do grupo governista para assumir o mandato tampão no Palácio Guanabara, por meio de eleição indireta.
A partir daí, o que se vê não é organização política, mas contenção de danos. Pressionado pelo avanço de um julgamento no Tribunal Superior Eleitoral e pelo desgaste do caso Fundação CEPERJ, Castro articula sua saída antecipada para evitar o risco de uma cassação que seria devastadora para o grupo.
O arranjo mostra a fragilidade do governo. Delaroli não assume por força política própria, mas como peça de transição, sem ambição eleitoral, com a promessa de ser acomodado posteriormente no Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro. É uma solução burocrática para um problema político grave.
Enquanto isso, Douglas Ruas é reposicionado como o verdadeiro herdeiro do projeto. Deve assumir a presidência da Alerj e se viabilizar como candidato ao governo em 2026, numa tentativa de dar sobrevida ao grupo fora da sombra da crise atual.
A pressa na montagem desse cenário também tem explicação externa. A movimentação ocorre no momento em que Eduardo Paes deixa a prefeitura da capital e entra de vez na disputa pelo governo estadual. Com um adversário competitivo e politicamente estruturado em campo, o grupo de Castro foi obrigado a sair da inércia e impor uma solução imediata.
No fim, a sucessão que se desenha não nasce de estratégia, mas de necessidade. Cláudio Castro não conduz seu próprio tempo político reage a ele, pressionado por denúncias, pelo avanço institucional no TSE e pela perda de controle do tabuleiro.





