Quarta-feira, Março 4, 2026
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Dívida Pública de Saquarema chega a R$ 871 mihões no primeiro ano de mandato de Lucimar Vidal mesmo com receitas de R$ 3,5 bihões

A dívida pública do município de Saquarema disparou no primeiro ano de mandato da prefeita Lucimar Vidal e chegou a R$ 871 milhões ao fim de 2025. Levantamento exclusivo do jornalista Alexy Paris mostra que a atual gestão encerrou o exercício com R$ 823.068.797,99 em valores não integrantes da dívida consolidada e mais R$ 48.569.462,55 de dívida pública consolidada, formando um volume expressivo de obrigações que terão de ser pagas no médio e longo prazos.

A dívida pública consolidada, registrada em 31 de dezembro de 2025, é formada pelos seguintes valores:

  • R$ 1.210.125,06 em parcelamento e renegociação de tributos
  • R$ 8.307.074,24 em parcelamento e renegociação de contribuições previdenciárias
  • R$ 39.052.263,25 em precatórios vencidos e não pagos

Mas o quadro mais grave está fora do conceito formal da dívida consolidada, embora represente dívida real, concreta e exigível, que terá de ser paga no médio e longo prazos:

  • R$ 510.375.661,13 em restos a pagar não processados
  • R$ 309.776.018,72 classificados como passivo atuarial
  • R$ 2.917.118,14 em precatórios fora da dívida consolidada

Segundo documentos oficiais obtidos pelo jornalista Alexy Paris, somados, esses valores elevam Saquarema a R$ 871.638.260,54 em obrigações financeiras, um número incompatível com qualquer discurso de responsabilidade fiscal, sobretudo em um município com orçamento estimado superior a R$ 3,5 bilhões no ano de 2025.

O contraste entre a abundância de recursos e a escalada das obrigações futuras evidencia uma gestão que optou por empilhar compromissos, empurrar despesas e transferir responsabilidades para exercícios seguintes, enquanto sustenta uma narrativa oficial de prosperidade e equilíbrio. O resultado prático é um município cada vez mais engessado, com menos capacidade de investimento em saúde, educação, infraestrutura e políticas sociais.

Nesse contexto, o programa Conexão Universitária tornou se símbolo da forma como a atual administração lida com recursos públicos. Com orçamento previsto de R$ 400 milhões em 2025, o programa opera sob uma caixa preta, sem transparência compatível com o volume de dinheiro envolvido e sem explicações claras à sociedade sobre critérios, custos reais e resultados efetivos.

A condução política agrava o cenário. Para amplos setores da cidade, Lucimar Vidal atua como prefeita de fachada, reproduzindo decisões, práticas e interesses dos ex prefeitos Antônio Peres e Manoela Peres. A percepção é de continuidade automática de poder, sem autonomia administrativa e sem responsabilidade política direta pelas escolhas que hoje comprometem as finanças municipais.

Enquanto cifras bilionárias aparecem nos documentos oficiais, a realidade da população segue dura. Serviços públicos precários, bairros abandonados e famílias vivendo em situação de pobreza contrastam com um orçamento robusto que não se traduz em melhoria concreta da qualidade de vida.

Os números são claros, os valores são oficiais e as consequências são inevitáveis. Saquarema entra nos próximos anos carregando uma bomba fiscal que terá de ser paga no médio e longo prazos. A conta está lançada, o rombo está documentado e a população já começa a sentir os efeitos de uma gestão que transformou abundância de recursos em risco financeiro.

Em nota, a Prefeitura de Saquarema afirmou que cumpre todos os requisitos da Lei de Responsabilidade Fiscal. Segundo o governo municipal, a dívida consolidada do município em 2025 correspondeu a 1,57% da Receita Corrente Líquida, percentual muito abaixo do limite de 120% permitido pela LRF. A administração também esclareceu que os valores dos precatórios sofreram variações em razão de decisões judiciais relacionadas a processos antigos.

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