Em Cabo Frio, a tesoura do prefeito Dr. Serginho anda mais afiada do que nunca. No último sábado (23), o anúncio de cortes em secretarias municipais soou como um alerta de “freio de arrumação” na gestão cabo-friense. Oficialmente, tudo em nome da responsabilidade fiscal. E há motivo: com a paralisação temporária do campo de petróleo de Peregrino, a estimativa é de uma perda em torno de R$ 6 milhões, isso se a interrupção durar entre seis e oito semanas. Um baque considerável no caixa municipal e que obriga a gestão a encarar a nova realidade fiscal de frente.
De lá para cá, começaram as apostas. Na roda de conversas, circulam nomes como Obras, a pasta da família Bento; Serviços Públicos, com Jefferson Vidal; Comunicação com Becker; Melhor Idade com Camila; e Família e Juventude com Pr. Rogério. Uns juram que a tesoura vai cair sobre essas pastas e correlatas; outros dizem que tudo não passa de fumaça para reorganizar peças mais estratégicas.

O fato é que o freio de arrumação tem, sim, impacto financeiro. O prefeito pediu a alguns secretários uma lista de cortes para reduzir a folha de pagamento e, assim, cumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal, que já vem emitindo alertas desde os relatórios do terceiro bimestre de 2025. Em meio às especulações, o gesto de Dr. Serginho revela coragem política: enfrentar a nova realidade fiscal exige mais do que discursos, exige ajustes concretos, mesmo quando eles mexem em estruturas sensíveis da máquina pública.
A demissão do ex-secretário de Assistência Social foi só o primeiro movimento dessa dança. Agora, com o discurso de ajuste fiscal na ponta da língua, Dr. Serginho aproveita para testar lealdades, medir forças e, de quebra, mostrar quem comanda a máquina, pois as medidas atingem em cheio, os vereadores da base.
No fim, a crise provocada com a perda de recursos com royalties do petróleo pode até ser passageira, mas o efeito político é imediato: um rearranjo silencioso que, como sempre, vai além dos números do orçamento. Em Cabo Frio, o “freio de arrumação” parece ter menos a ver com cortes simbólicos e mais com a coragem de ajustar a casa no xadrez político municipal, afinal 2026 é logo ali.




