Terça-feira, Maio 12, 2026
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O NEW DEAL DO TRABALHO E SUA RESERVA DE MERCADO

Nesta última sexta-feira, levei minha mãe para fazer umas compras no Açaí Atacadista de Cabo Frio e paramos em uma gôndola para que ela escolhesse inhames. Enquanto ela escolhia seus tubérculos, me deparei com um casal de colegas de trabalho com uma tez pesada e pude escutar parte da conversa. O rapaz, aparentando seus trinta e poucos anos, se queixava à colega que sua semana houvera sido calculada em pouco mais de R$ 200,00. Ela disse a ele que só poderia estar errado e sugeriu ao colega procurar o RH e reclamar seus proventos de forma devida. A resposta foi estarrecedora! Ele disse à ela que deixaria pra lá, pois vários colegas recém contratados foram reclamar e acabaram demitidos. Ele precisava muito do emprego e pretendia mantê-lo até completar ao menos um ano, pois não conseguiria sobreviver com a família desempregado e sem FGTS e Seguro Desemprego até que se ocupasse de novo. 

Diante daquela cena, entendi porque a locutora do supermercado chamava seguidas equipes de líderes e novatos para a sala de treinamento. A precarização do trabalho e a reserva de mercado de mão-de-obra chegou a um patamar onde a rotatividade do quadro de funcionários é mais lucrativa do que mantê-los. Eu percebi que o medo do desemprego está maior do que a própria dignidade humana pode suportar. Foi a prova cabal de que, para as grandes corporações, manter uma política onde a alta taxa de desemprego perdura, faz com que se pague o mínimo ou abaixo dele por uma força de trabalho que beira à análoga à escravidão. 

À minha mente, veio aquela festa feita pelo prefeito José Bonifácio e sua equipe de Tamoios, incluindo o Secretário de Obras e vice-presidente do PSB Cabo Frio, senhor Alan do Chaparral, pela inauguração da loja da Rede Atacadão naquela localidade. Será mesmo que, na cabeça dessas pessoas, gerar empregos é isso? Será que algum dia alguma dessas pessoas tiveram a curiosidade de ler algum livro de Theodor Adorno, Max Weber, Kennes, etc? Será que essas pessoas sequer leram o Artigo 5⁰ da Constituição Cidadã de 1988? Tenho minhas dúvidas.

O que está posto é que esse New Deal acordado entre a nefasta política trabalhista de Michel Temer, Paulo Guedes e Jair Bolsonaro e as grandes corporações, tem tornado trabalhadores em reles escravos modernos. Estamos cada vez mais próximos à mais valia de 1760 a 1840 do que da chamada economia 4.0.

Que venha logo o dia em que possamos arrancar nossas mordaças e quebrar nossas correntes.

Por Mardonio Gomes

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