A Secretaria Municipal de Saúde de Cabo Frio tem ampliado o monitoramento dos locais com incidência de focos do mosquito Aedes aegypti, de modo a combater de forma mais eficiente o vetor de doenças como dengue, zika e chikungunya. A ação torna-se ainda mais oportuna, em meio a um período prolongado de chuvas, como o que o município passa nas últimas semanas, e o aumento da temperatura.
Para realizar esse controle, a Superintendência Municipal de Vigilância Ambiental e Zoonoses tem se utilizado de diversos recursos, tais como armadilhas mecânicas (as “ovitrampas”); mapas de calor, para análise visual das áreas com maior concentração de ovos do mosquito; e o aplicativo conta ovos, para a contagem automática desses ovos, por meio de inteligência artificial.
A utilização dessas ferramentas visa à redução do tempo que profissionais de saúde dedicam à contagem manual de ovos de mosquitos nas palhetas das armadilhas e à análise qualificada dos dados, de modo a direcionar de forma mais assertiva os esforços no combate ao mosquito Aedes aegypti.
O que são as “ovitrampas”
As “ovitrampas” são armadilhas de oviposição, instaladas em recipientes pretos com água e atrativo químico que simulam um local ideal para fêmeas do Aedes aegypti depositarem seus ovos. No interior da armadilha, há uma palheta, geralmente feita de Eucatex, onde os ovos são colados.
Após uma semana, o material é recolhido para análise da densidade populacional do mosquito na região. Outra palheta é colocada, por mais uma semana e, no final da contagem, os dados são comparados a outros sistemas de monitoramento como o Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa) e o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), gerando as ações norteadoras específicas a cada região monitorada.
“Atualmente, contamos com um total de 184 “ovitrampas” em Cabo Frio, entre o distrito-sede e Tamoios. Temos como meta atingir mais de 500 armadilhas de oviposição para aerfeiçoar esse nosso monitoramento”, explica a superintendente de Vigilância Ambiental e Zoonoses, Andreia Nogueira.
Os mapas de calor e o aplicativo “conta ovos”
As palhetas retiradas das armadilhas são enviadas para o laboratório da Unidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) para a eclosão dos ovos e a verificação da espécie dos mosquitos que os depositaram.
A partir dessas informações, são produzidos os mapas de calor, com marcação cromática, para definição de quais áreas terão prioridade de ação da Vigilância Ambiental, a começar pelos locais marcados em vermelho (maior concentração de ovos), até os locais marcados em azul.
A novidade deste ano, em Cabo Frio, é a implantação do aplicativo “conta ovos”, criado para otimizar o monitoramento e a contagem automática de ovos do mosquito Aedes aegypti em ovitrampas. A ferramenta foi instituída no Calendário Estadual da Secretaria de Estado de Saúde (SES –RJ). O app foi criado por iniciativa da Fiocruz, do Cefet-RJ e do projeto Mosqlimate (FGV), com supervisão do Ministério da Saúde.




