Terça-feira, Setembro 22, 2026
spot_imgspot_imgspot_imgspot_img
InícioRegião dos LagosCientistas internacionais visitam Saquarema para observar os céus da cidade

Cientistas internacionais visitam Saquarema para observar os céus da cidade

Neste fim de semana, Integrantes da Sociedade Interamericana de Astronomia das Culturas (SIAC) estiveram no Sítio Arqueológico do Sambaqui da Beirada e na Igreja de Nossa Senhora de Nazareth.

Um grupo de cerca de 20 pesquisadores do Brasil e de várias nacionalidades da América Latina veio a Saquarema para visitar o Sítio Arqueológico do Sambaqui da Beirada, em Barra Nova, e observar os céus da cidade. Integrantes da Sociedade Interamericana de Astronomia das Culturas (SIAC), eles também visitaram a Igreja Matriz de Nossa Senhora de Nazareth. A vinda à Saquarema possibilita a troca de conhecimentos entre os acadêmicos e avanços no conhecimento científico sobre os povos que habitaram Saquarema em períodos Pré-coloniais.
O momento mais importante da visita técnica e científica ocorreu no sábado, quando os pesquisadores estiveram no Sambaqui da Beirada para observar o pôr-do-sol às vésperas do equinócio da primavera. A data ocorre no dia 22 e marca o fim do inverno, quando as durações do dia e da noite possuem o mesmo tempo, de 12 horas. Os cientistas puderam verificar o alinhamento do sol poente com a paisagem local nas proximidades do Pico do Cedro, na Serra do Mato Grosso.

A posição onde foi estabelecido o sambaqui sugere uma relação com a paisagem da região. O local onde os povos sambaquieiros de Saquarema, há mais de 4.500 anos, ergueram seus monumentos compostos por conchas, remanescentes de moluscos e animais marítimos e da fauna local usados para alimentação, também era utilizado para seus rituais e enterramentos do grupo.
Sambaquis são monumentos arqueológicos construídos por grupos humanos do litoral brasileiro num período anterior à chegada ao território por outros grupos indígenas, os quais foram avistados pelos primeiros colonizadores europeus. A palavra sambaqui era usada pelos Tupi para designar esses locais. O vocábulo une, na língua Tupi, os termos tamba (concha) e ki (monte), e significa “monte de conchas”.

“Uma das hipóteses em pesquisa é a de que a escolha da posição espacial dos sambaquis tenha relação com os aos aspectos da paisagem local e movimentos de corpos celestes. Num primeiro momento tal localização sugere uma preocupação com relação ao sol. Sua ocupação pode ter sido pensada, em relação à localização desses monumentos de acordo com as mudanças de estação, por exemplo. Entretanto, muito embora sejam promissoras, as pesquisas ainda estão em seu início de coleta de dados e estudos. A expectativa é que avancemos ainda mais no que conhecemos sobre os sambaquis, iniciando pelo Beirada. Com essa visita, a região de Saquarema e seus patrimônios arqueológicos entram no radar de investigadores internacionais”, afirma Marcos Davi Duarte, doutor em Arqueologia pelo Museu Nacional da UFRJ e pesquisador em Arqueoastronomia, uma ciência que alia conhecimentos da arqueologia e da astronomia.

Duarte faz parte da equipe do Museu Nacional que, junto com a Prefeitura de Saquarema, elabora os últimos preparativos para a nova exposição do Sítio Arqueológico do Sambaqui da Beirada. A diretora do espaço, a historiadora Vanderlea Maria da Silva, ressalta a importância da visita dos pesquisadores à Saquarema:
“A vinda desses cientistas contribui para os avanços nos estudos sobre esses grupos humanos pré-coloniais. Ainda há muito mistério sobre como eles viviam, mas, agora a gente também está atento à possibilidade de que eles tinham um saber astronômico rudimentar. Ou seja, é preciso olhar não só para o solo, mas também para os céus a fim de compreender um pouco sobre um contexto do cotidiano dos sambaquieiros. Portanto, receber esses pesquisadores traz uma projeção internacional para Saquarema e ajuda na produção de conhecimento para esta e as próximas gerações, a partir de outras perspectivas”, declara.

A visita técnica a Saquarema ocorreu depois do Encontro Anual da SIAC, ocorrido na cidade do Rio de Janeiro. O Presidente da instituição, o arqueólogo e antropólogo Alejandro Martín López, da Universidade de Buenos Aires, destacou a relevância da visita.
“É importante que a gente entenda como esse local se relaciona com a paisagem, incluindo o céu. As pessoas não punham sítios de relevância em qualquer lugar e isso pode ter razões utilitárias ou simbólicas. Tem a ver com a construção de uma paisagem”, afirma o cientista.

Agora, depois da visita, os pesquisadores poderão ter mais elementos para seus estudos colocando Saquarema como um local de interesse acadêmico internacional. Assim, é possível reunir mais conhecimento científico sobre a cidade e toda sua região, contribuindo para o desenvolvimento da história saquaremense e a preservação de seu patrimônio arqueológico e arqueoastronômico.

spot_imgspot_imgspot_imgspot_img
spot_img