Centenas de estudantes do 5º ano do Ensino Fundamental da rede municipal de Cabo Frio estão colocando a criatividade e a curiosidade em prática durante as Feiras de Ciências do projeto “Pequenos cientistas, grandes descobertas”. A programação teve início na quarta (16) e segue até esta sexta-feira (18), mobilizando estudantes de diferentes unidades escolares em atividades de pesquisa, experimentação e apresentação de trabalhos em diferentes áreas do conhecimento, com foco nas Ciências da Natureza e nas características do município.
Promovido pela Secretaria Municipal de Educação, por meio da Supervisão de Projetos e Iniciativas Educacionais, o projeto foi planejado para ser desenvolvido ao longo de oito semanas, culminando com a realização das feiras nas unidades participantes. A proposta é aproximar os conteúdos trabalhados em sala de aula da experiência prática, estimulando os estudantes a formular perguntas, levantar hipóteses, realizar experimentos, analisar resultados e compartilhar suas conclusões.
Durante as atividades, as escolas transformam os corredores, pátios e outros espaços coletivos em ambientes de experimentação, com estandes, maquetes, cartazes, demonstrações e apresentações conduzidas pelos próprios alunos. Entre os temas abordados estão água, energia, saúde, meio ambiente e fenômenos naturais.
Em Cabo Frio, os estudantes também são estimulados a relacionar a investigação científica às características do próprio território. Experimentos sobre a ressurgência oceânica, a salinidade da Lagoa de Araruama, a produção de sal, os efeitos dos ventos e a vegetação de restinga permitem que conceitos científicos sejam compreendidos a partir de fenômenos presentes na realidade local.
Para o secretário municipal de Educação, Alessandro Teixeira, que acompanhou de perto o primeiro dia de atividades, a iniciativa amplia as possibilidades de aprendizagem e valoriza a participação dos estudantes.
“As Feiras de Ciências criam uma oportunidade para que nossos alunos deixem de ser apenas espectadores e passem a investigar, testar possibilidades e apresentar aquilo que descobriram. É uma experiência que aproxima o conhecimento da realidade dos estudantes e valoriza a curiosidade, a criatividade e o trabalho coletivo. Ver de perto o envolvimento das escolas e a alegria dos alunos mostra a importância de iniciativas como essa”, disse.
Ciência, literatura e arte em uma mesma experiência
Na Escola M. Prof.ª Catharina da Silveira Cordeiro, a Feira de Ciências foi integrada a outros projetos desenvolvidos pela unidade. A escola possui uma turma de 5º ano que participou da produção dos trabalhos.
A unidade também desenvolve, neste trimestre, um projeto literário e artístico inspirado na obra do renomado artista holandês Vincent Van Gogh, além de atividades com músicas e textos da escritora Bia Bedran.
“Foi muito legal e muito produtivo. Os alunos gostaram muito de participar e nós aproveitamos para integrar a Feira de Ciências aos projetos de literatura e artes que já estavam sendo desenvolvidos na escola. Trabalhamos a germinação do feijão fazendo um paralelo com os girassóis e com o quadro de Van Gogh, além da filtragem da água, da ressurgência e de características naturais tão importantes para o nosso ecossistema”, explicou a diretora Leandra Bento.
A escola montou um circuito para que os visitantes pudessem acompanhar as experiências realizadas pelos alunos de forma organizada. A exposição dos trabalhos continua até esta sexta-feira (18), com visitação aberta aos responsáveis antes do horário de saída dos estudantes.
Leandra também destacou a importância da parceria entre a Secretaria de Educação e as unidades escolares para o desenvolvimento de projetos pedagógicos.
“Esse tipo de incentivo é muito importante para nossas crianças. É muito bom quando a Secretaria abraça isso junto com a comunidade escolar. É uma parceria muito importante: a Secretaria dá um norte e a escola desenvolve”, disse.
Integração com a família e a comunidade escolar
Na Escola Municipal Prof.ª Cilea Maria Barreto, os alunos passaram cerca de três meses pesquisando, preparando os trabalhos e se organizando para as apresentações.
De acordo com a diretora Monique Antunes, os estudantes apresentaram os trabalhos para as demais turmas, em horários previamente agendados, além de receberem responsáveis e integrantes da comunidade escolar.
“A Feira de Ciências já faz parte do calendário anual da unidade escolar. Este ano, o diferencial foi o projeto dos Pequenos Cientistas, realizado com os alunos das turmas de 5º ano. Os alunos ficaram muito empolgados durante todo o período de pesquisa e preparação, e também muito ansiosos para apresentar os temas aos colegas, responsáveis e a toda a comunidade escolar”, destacou.
Na unidade, as crianças produziram trabalhos práticos e cartazes, com destaque para a construção de um filtro caseiro de água, utilizado para demonstrar conceitos de filtragem, sustentabilidade e tratamento. Também foram produzidos materiais sobre a importância da água, seu uso ao longo do tempo e os cuidados relacionados à higienização do corpo, dos alimentos e dos ambientes.
“A parceria com a Secretaria de Educação tem sido primordial para a realização dos eventos, dando o suporte necessário e norteando os projetos. Receber a equipe da Secretaria também incentiva ainda mais o interesse dos alunos, porque eles percebem que aquilo que está sendo feito dentro da escola está passando para além dos muros”, complementou Monique.
Aprendizagem baseada na investigação
Além dos conhecimentos específicos de Ciências da Natureza, o projeto mobiliza habilidades de diferentes áreas, como Matemática, Língua Portuguesa, Geografia e Artes. Os alunos são estimulados a registrar informações, organizar dados, produzir materiais visuais e desenvolver a comunicação oral durante a apresentação dos trabalhos.
A iniciativa está alinhada às competências e habilidades previstas na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), especialmente aquelas relacionadas ao pensamento científico, crítico e criativo, à comunicação e à cooperação.




