Segunda-feira, Julho 27, 2026
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‘Julho Verde’: Prevenção e Controle do Tabagismo apresenta caso de sucesso

A mobilização da Prefeitura de Macaé para a campanha ‘Julho Verde’, alusiva ao Dia Mundial de Conscientização e Combate ao Câncer de Cabeça e Pescoço, 27 de julho (Lei 14.328) tem início com a divulgação de um dos casos de sucesso da Área Técnica de Prevenção e Controle do Tabagismo. O uso de tabaco é um dos principais fatores de risco evitáveis para a doença. O Programa de Tabagismo atende em 19 unidades da Saúde Básica do município e na sede, na Casa de Convivência, localizada na rua Visconde de Quissamã, 482, de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. Quando a doença é identificada no início, as chances de cura chegam a 80%.

“De acordo com dados epidemiológicos, o cigarro é o principal combustível para o desenvolvimento destes tumores, estando associado a até 90% dos casos de câncer na cavidade oral e na laringe. Segundo o Ministério da Saúde e o Instituto Nacional de Câncer (Inca), tumores de laringe, tireoide e cavidade oral são frequentes em homens acima de 40 anos, devido a fatores de risco como tabagismo, alcoolismo e infecção por HPV. O Programa de Tabagismo abordará o tema em rodas de conversa nos grupos de usuários em tratamento e estimulará que os profissionais das Unidades Básicas de Saúde promovam atividades educativas para os usuários no território”, disse a coordenadora de Prevenção e Controle do Tabagismo, enfermeira Janaína Coutinho.

Agora eu sou exemplo
Há um ano no Programa de Tabagismo, sem recaídas nos cigarros, e há três da determinação de deixar o consumo de um maço de cigarros por dia, a administradora aposentada, Marcia Teresa Vale (57), considera que conquistou sua qualidade de vida.

“Agora eu sou exemplo. Tenho mais fôlego do que quando eu tinha 20 anos menos. Consigo nadar e correr de uma maneira que antigamente eu não conseguia. Respiro melhor. Não sinto cheiro de cigarro nas minhas roupas e cabelos. Não me sinto jogando uma droga para dentro do meu corpo que pode me causar problemas de saúde. Não estou colaborando para isso”, revela.

Ela conta que quando começou a fumar, aos 15 anos de idade, isso era comum e até elegante. Marcia via as pessoas fumando dentro de aviões e restaurantes, nas novelas, nos filmes e em bonitos comerciais na TV. Ela se recorda que muitas adolescentes começavam a fumar porque ‘fumar emagrece’ e que elas não tinham informações sobre os malefícios deste hábito.

“Isso vinha em letrinhas pequenas que a gente não lê. Era muito implícito. Hoje em dia, há fotos e tarjas informando que o cigarro é uma droga. Tudo muito claro e locais com proibição para fumar. Mas antes todo mundo fumava. Se o Francisco Cuoco e a Regina Duarte fumavam na novela, por que eu não poderia? As propagandas eram grande influência”, lembra.

A dependência psicológica dos cigarros, para Marcia, é mais difícil de controlar do que a química. Viagem de avião sem portar um isqueiro gerava grande ansiedade, assim como uma noite sem cigarros em casa, insônia. Estresse no trabalho e atividades sociais eram gatilhos para o aumento do consumo. Contudo, quando engravidou, aos 30 anos de idade, e ainda por um período após a amamentação, mesmo sem suporte profissional, conseguiu deixar de fumar, até voltar após um estresse ocorrido em 2011.

Devido à rouquidão, em 2023, foi orientada a passar por uma cirurgia nas cordas vocais. Os exames pré-operatórios também mostraram indícios de problemas pulmonares. Após a cirurgia, ela percebeu que precisava parar de fumar definitivamente. Por indicação de uma vizinha que fumava mais cigarros do que ela e havia conseguido se abster, mesmo durante o período da pandemia de covid-19, Marcia passou a frequentar o Programa de Tabagismo, inicialmente em reuniões semanais e depois mensais.

“No programa, a gente encontra as ferramentas necessárias para poder controlar os dois vícios, o químico, mais fácil de resolver, e o psicológico. O cigarro é um hábito. Não compareço mais às reuniões, mas eu continuo no programa, porque utilizo as estratégias dele. As enfermeiras da equipe são muito bem-preparadas. O fumante é uma pessoa doente, mas às vezes nem sabe. O cigarro gera estímulos e satisfação. Eu tinha a impressão de que ficava até mais inteligente, porque é uma droga e das mais viciantes. No programa ninguém irá te julgar. Ele joga todos os tipos de boia. Basta você se agarrar. Se escorregar e soltar, agarre outra. Agarre! Não pode desistir”, ressalta.

Prevenção
A coordenadora de Prevenção e Controle do Tabagismo alerta que sintomas que parecem corriqueiros – como rouquidão persistente por mais de três semanas, feridas na boca que não cicatrizam em 15 dias ou dificuldades para engolir – devem ser ativamente investigados.

“Engajar os profissionais de saúde no ‘Julho Verde’ significa fortalecer uma rede de proteção diária capaz de salvar vidas por meio da informação, do acolhimento e do combate incisivo ao tabaco”, reforça Janaína.

Para prevenir a doença, é recomendado: evitar o uso de tabaco e o consumo (ou redução) de bebidas alcoólicas; praticar boa higiene bucal e visitar o dentista regularmente; prevenir-se contra o vírus HPV por meio da vacinação (disponível no SUS) e usar proteção solar no rosto e nos lábios. A Prevenção e Controle de Tabagismo também oferta tratamento, sem lista de espera, para os pacientes com diagnóstico de Câncer de Cabeça e Pescoço que são encaminhados pelo Polo de Oncologia.

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