Nem todo cuidado pode ser medido por aparelhos ou medicamentos. Na Unidade de Internação (UI) Neonatal do Hospital Municipal Jaqueline Prates, um gesto simples tem ajudado a tornar a internação dos bebês prematuros mais acolhedora. A Prefeitura de Araruama implantou o projeto dos polvinhos de crochê, uma iniciativa que une ciência, afeto e humanização para oferecer mais conforto aos recém-nascidos nos primeiros dias de vida.
Delicados e coloridos, os polvinhos são colocados dentro das incubadoras para acompanhar os bebês durante a internação. Seus tentáculos lembram o cordão umbilical e despertam nos recém-nascidos a sensação de segurança vivenciada ainda no útero materno. O simples ato de segurá-los ajuda a acalmar os pequenos, favorece a estabilidade da respiração e dos batimentos cardíacos e ainda reduz a tendência de puxarem sondas e cateteres durante os cuidados da equipe.
“Os tentáculos remetem ao cordão umbilical. Quando eles estavam na barriga da mãe, sentiam essa necessidade de segurar o cordão. Depois que nascem, ainda procuram esse contato. O polvinho traz essa sensação de aconchego, lembrando o período em que estavam no útero materno”, explica a enfermeira e coordenadora de Neonatologia do JP, Nathália Machado.
A iniciativa faz parte de um projeto apoiado pelo Ministério da Saúde e ganhou espaço em maternidades e UIs neonatais de todo o país por contribuir para uma assistência cada vez mais humanizada aos recém-nascidos prematuros.
Os polvinhos utilizados no Hospital Jaqueline Prates são produzidos voluntariamente pela ONG CulturArte. Cada peça segue critérios rigorosos de segurança: é confeccionada exclusivamente com fio 100% algodão, enchimento de fibra antialérgica e pontos bem fechados, evitando qualquer risco de desprendimento do material. Antes de serem entregues aos bebês, passam pela Central de Esterilização, onde são higienizados e esterilizados de acordo com os protocolos hospitalares.
Além de levar mais conforto aos recém-nascidos, o projeto também aproxima a comunidade do cuidado neonatal. Nathália explica que o hospital recebe com alegria novas doações.
“As meninas da ONG confeccionam os polvinhos e fazem as doações para o hospital. Depois, todos passam pelo processo de esterilização antes de serem entregues aos nossos bebês. Quem quiser colaborar, seja confeccionando polvinhos ou doando linhas, pode entrar em contato com o hospital. Toda ajuda se transforma em carinho e acolhimento para os nossos pequenos”, destaca a enfermeira.
Na UI Neonatal, onde cada grama conquistada e cada respiração representam uma vitória, os polvinhos de crochê simbolizam que a assistência vai além da tecnologia e dos protocolos. Eles lembram que, nos primeiros dias de vida, o cuidado também cabe nas mãos, no afeto e nos pequenos gestos capazes de acolher bebês e tranquilizar suas famílias.




