Quinta-feira, Setembro 24, 2026
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Seminário em Macaé debate atenção psicossocial e apresenta dados do Censo de Saúde Mental

O debate sobre saúde mental ganhou espaço nesta quarta-feira (23), em Macaé, durante o seminário “Atenção Psicossocial e Interseccionalidades”, realizado no auditório do Sindipetro-NF. A programação integrou as ações do Setembro Amarelo e teve como um dos principais temas a apresentação de dados do Censo Psicossocial dos Usuários dos Serviços de Saúde Mental do Estado do Rio de Janeiro, ampliando a discussão sobre o perfil dos usuários, o acesso aos serviços e os desafios da rede de atenção psicossocial.

A iniciativa reuniu profissionais da rede de saúde mental, familiares, usuários dos serviços, trabalhadores da assistência social, estudantes, pesquisadores e integrantes de movimentos sociais. O encontro buscou fortalecer o diálogo entre diferentes setores envolvidos no cuidado em saúde mental e destacar a importância de uma atenção que considere as características e as necessidades de cada pessoa e território.

O Censo Psicossocial dos Usuários dos Serviços de Saúde Mental do Estado do Rio de Janeiro é uma pesquisa realizada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), por meio da Escola de Serviço Social, em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES/RJ). O estudo, coordenado pela professora Rachel Gouveia Passos, reúne informações sobre aspectos sociais, demográficos e relacionados ao atendimento dos usuários dos serviços de saúde mental. O relatório técnico foi publicado pela UFRJ no inicio deste ano.

Durante o seminário, foram apresentados dados relacionados à realidade de Macaé, contribuindo para uma reflexão sobre o perfil dos usuários atendidos e sobre a necessidade de aprimorar continuamente as políticas públicas de saúde mental no município.A iniciativa é uma ação conjunta da Escola de Serviço Social da UFRJ (ESS/UFRJ), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do coletivo Luta Antimanicomial e Feminismos com apoio da Secretaria de Saúde da Prefeitura de Macaé, por meio do Núcleo de Saúde Mental. Vale lembrar, que o projeto do censo também conta com fomento do CNPq, CAPES e FAPERJ.
Dados de Macaé – A residente de Saúde Mental da UFRJ, Thaiane Teixeira acompanhada pela graduanda de Serviço Social da UFRJ, Gabriela Evaristo , destacou que o levantamento permite observar aspectos sobre os usuários da rede.

“Hoje estamos apresentando alguns desdobramentos do próprio Censo, que já foi publicado. Em relação a Macaé, identificamos que há dificuldade no preenchimento e na identificação do quesito raça/cor. Com isso, 46% da população atendida na Rede de Atenção Psicossocial do município não teve esse dado identificado no levantamento. Esse resultado chama a atenção para a importância de qualificar cada vez mais as informações produzidas pelos serviços”, ressaltou.

Ela também participou da apresentação e pontuou que o censo registrou conforme levantamento técnico a necessidade de aproximar a discussão sobre saúde mental da atenção básica, considerando que parte dos usuários atendidos pelas Estratégias de Saúde da Família (ESF) pode não chegar aos serviços especializados.

“Um dos pontos que observamos é que muitos usuários acompanhados pela Estratégia de Saúde da Família não necessariamente procuram ou conhecem os equipamentos específicos de saúde mental. Por isso, é fundamental fortalecer a articulação entre a atenção básica e a rede de atenção psicossocial, ampliando as possibilidades de identificação, acolhimento e acompanhamento das pessoas que precisam de cuidado”, pontuou.

Para a elaboração do censo, a equipe da Coordenação de Atenção Psicossocial contou com profissionais distribuídos por região, estabelecendo uma ponte entre a coordenação estadual e os municípios e contribuindo para a articulação da rede de cuidado.


Olhar interseccional –
Além da apresentação dos dados do Censo, o seminário ampliou a discussão sobre a atenção psicossocial a partir de uma perspectiva interseccional. O conceito considera que diferentes dimensões da vida social, como gênero, raça, classe social, sexualidade e território, podem se relacionar e interferir nas condições de acesso aos serviços e nas formas de cuidado em saúde mental.

A programação também abordou temas relacionados à articulação em rede, aos desafios do cuidado, à infância, setembro amarelo, tentativas de suicídio, adoecimento mental, à cultura e às diferentes estratégias de expressão e acolhimento. As atividades incluíram ainda oficinas de Slam, promovendo a arte e a palavra como ferramentas de expressão.

Presente, a coordenadora do Núcleo de Saúde Mental, Lorraine Moreira, destacou que a realização do Censo representa um importante instrumento para conhecer melhor a realidade dos usuários e contribuir para o planejamento das ações da rede.

“Este primeiro Censo Psicossocial do Estado é de suma importância para conhecermos melhor a realidade das pessoas atendidas pelos serviços de saúde mental. O Núcleo de Saúde Mental de Macaé contribuiu com a pesquisa por meio da participação em oficinas realizadas no espaço e também com a indicação de usuários para levantamentos específicos. Esse trabalho fortalece a compreensão sobre a Rede de Atenção Psicossocial e ajuda a pensar estratégias de cuidado cada vez mais articuladas com as necessidades dos usuários”, afirmou.

Também estavam presentes o coordenador da Comissão de Saúde Mental do estado do Rio de Janeiro, Carlos Henrique Martins e a subsecretária de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Sheila Juvêncio.

“A pasta está à disposição. Este mapeamento está sendo importante. Precisamos lembrar que os negros e pardo não estão visíveis apenas no mês de novembro. Temos uma nova sede à disposição da população para tratar de políticas públicas como a saúde da população negra”, citou.

Arte e saúde mental-A programação também contou com uma apresentação artística de Patrick Schneider, um dos usuários atendidos pela rede municipal de saúde. Ele levou 18 telas para exposição durante o evento, evidenciando a arte como uma possibilidade de expressão, criatividade e participação social.

Setembro Amarelo: escutar também é cuidar
Realizado durante o mês de setembro, o Setembro Amarelo amplia a conscientização sobre saúde mental e prevenção do suicídio, incentivando o diálogo, a redução do estigma relacionado ao sofrimento emocional e a busca por ajuda.

Em 2026, a campanha tem como tema “Escutar é estar presente”, destacando que uma escuta atenta, empática, acolhedora e sem julgamentos pode contribuir para que pessoas encontrem apoio e não enfrentem momentos difíceis sozinhas.A população que necessitar de apoio emocional também pode procurar ajuda por meio do Centro de Valorização da Vida (CVV), pelo telefone 188, com atendimento gratuito e sigiloso, 24 horas por dia.


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